<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558</id><updated>2009-09-21T12:02:43.852Z</updated><title type='text'>A Questão Continuada</title><subtitle type='html'>Vast is the ocean of Sacred Words
Which enlightens the universe
With divine Vision</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-111833854641878117</id><published>2005-06-09T17:27:00.000Z</published><updated>2005-06-09T17:38:05.340Z</updated><title type='text'>Sesimbra  (parte II)</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.olhao.web.pt/images/Museu/Galeão.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Os últimos galeões a vapor da pesca de cerco &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A pesca e os barcos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas férias repartiam-se entre a praia, lota da tarde e a pesca.&lt;br /&gt;Os pescadores de Sesimbra praticavam diversos tipos de pesca, com diversos tipos de embarcações, adaptadas a cada uma delas.&lt;br /&gt;A embarcação mais característica de Sesimbra, era e é a aiola, pequeno bote muito elegante, movido a remos ou à vela, que além de servir de apoio aos barcos maiores, era muito usado especialmente na pesca à lula e ao choco.&lt;br /&gt;De maior porte tínhamos as barcas a motor, da pesca ao aparelho, cujo o número de tripulantes variava conforme o seu tamanho e as traineiras, que utilizando as redes de cerco, se dedicavam à pesca de cardumes, como a sardinha, o carapau, a cavala e a sarda.&lt;br /&gt;Ainda foi no meu tempo que assisti, aos últimos exemplares das barcas da armação. A armação era uma arte de pesca fixa, muito antiga. Este tipo de pesca era efectuado por diversas barcas, em conjunto, que não possuíam motor e eram levadas para o lugar onde estavam as redes fixadas, a reboque de uma barca a motor.&lt;br /&gt;Quando a fortuna enchia as redes, e o peixe abundava, carregavam os porões da barca a motor e mais uma ou duas barcas, conforme a quantidade apanhada, que seguiam imediatamente para a lota, as restantes regressavam à vela. Como as redes estavam localizadas relativamente perto da costa, a meio caminho entre Sesimbra e o Cabo Espichel, a nortada da tarde fazia-se sentir e bem, proporcionando-lhes um bom andamento.&lt;br /&gt;Um dos familiares, que vivia em casa do meu tio era pescador numa das armações, era só pedir e lá ia eu à pesca com eles. Não era a pesca que me motivava, pois era no meu entender muito monótona, o alar da rede, sempre acompanhado de típicas canções dos homens do mar, levava muito tempo.&lt;br /&gt;As barcas, dispostas em circulo, bem distanciadas umas das outras, começavam a alar a rede, puxando-a não para bordo, mas deixando-a cair novamente para o mar, o que levava as barcas a aproximarem-se umas das outras, acabando por formarem um circulo pequeno, quando o fundo da rede chegava à superfície, com o peixe aprisionado. Diziam os mais antigos que a armação noutros tempos apanhava atuns, na época da sua migração, mas no meu tempo capturavam somente, carapau, cavala ou sarda, eventualmente sardinha.&lt;br /&gt;Era o regresso, esperançado numa boa pescaria, poder vir à vela. Era o sonho, barco adornado pelo vento e eu sentado no meio dos pescadores a barlavento. O meu tio não achava graça nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.xunta.es/conselle/pe/imagenes/barco_amen.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A traineira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro familiar trabalhava numa traineira, era só formular o desejo e lá embarcava eu para a pesca. Esta era feita de noite ao largo, entre a Costa da Caparica e Cabo Espichel. A costa vista do mar era muito bonita com todas as luzes visíveis. Quando a Lua estava cheia as águas pareciam de prata, quando peixe preso no saco da rede subia à superfície.&lt;br /&gt;Detectado o cardume a rede era lançada à volta dele, formando um circo. A parte superior ficava à superfície, sustentada por bóias de cortiça, a inferior mergulhava direita, pelo peso do lastro de chumbo. Findo o cerco, a rede era fechada na parte inferior submersa, formando um saco onde o peixe ficava aprisionado, após o que o guincho puxava para a superfície a parte inferior desse saco obrigando o peixe a vir à superfície. Com os chalavares recolhia-se o pescado e metia-se porão. Tínhamos de ter cuidado, pois o convés, com o sangue do peixe ficava muito escorregadio.&lt;br /&gt;Normalmente o mestre levava-me na casa do leme para eu poder ver a sonda a indicar a posição dos cardumes, e por vezes, quando estava bem disposto, deixava-me governar o barco. Que sensação para um miúdo de onze anos sentir a roda do leme na mão, e fixar os olhos na agulha para não sair do rumo. Quem pode ser mais feliz?&lt;br /&gt;Pela madrugada, ao amanhecer, já no regresso, comíamos a “bóia”, era um momento estupendo de confraternização entre todos. Eu nunca levava nada para comer, comia da bóia dos outros, só não bebia era o vinho.&lt;br /&gt;Mas de todas as pescas, a minha preferida era a do aparelho. Era nesta pesca que se utilizava o tipo de barco que sempre me mais fascinou. A barca de Sesimbra. De linhas esguias e harmoniosas, com a roda da proa elegantíssima, sem cabina de leme, era governado com uma cana de leme. O ruído característico do motor, um tac, tac, tac, se bem que ruidoso, era uma autêntica melodia para mim. Conhecia o nome da maior parte destas barcas, reconheci-as pelos desenhos pintados nos cascos. Havia-as de diversos tamanhos, mas as mais pequenas, equipadas somente com três pescadores, eram as minhas favoritas.&lt;br /&gt;A pesca ao aparelho é a pesca com anzol. A barca quando chegava ao local escolhido, lançava ao mar uma linha com centenas de anzóis devidamente iscados. Nas barcas maiores chegavam a ser um milhar ou mais. Quando acabava de lançar, após uma pequena pausa, volta ao ponto onde iniciou o lançamento e começava a recolher a linha.&lt;br /&gt;O lançamento desta linha com tão grande quantidade de anzóis, requeria uma técnica muito especial. Para sinalizar o início da aparelho, lançavam uma bóia fundeada, à qual o aparelho ficava preso. Depois com o motor da barca ao relantim, a cerca de um nó de velocidade, começavam a lançar o aparelho. Os anzóis eram levados celhas dispostos de maneira a soltarem-se com a pressão do aparelho e uma pequena ajuda dos dedos dos pescadores. A operação tinha de ser rápida e sem falhas pois o barco está em movimento. Espaçadamente vão sendo colocadas mais bóias de sinalização pelo homem que vai ao leme. Trabalho de artista de circo. Sentado na borda do barco, com um pé no convés e outro na cana do leme, para ficar com as mãos livres, lança as bóias de sinalização ao mesmo tempo que governa o barco.&lt;br /&gt;Os outros dois, avante da cabine da motor, tomam conta das celhas dos anzóis.&lt;br /&gt;A recolha do aparelho era um trabalho árduo, puxar sem parar toda aquela linha, retirar o peixe e colocá-lo no porão, num convés cheio de amarinhado de linhas e anzóis, requeria um enorme esforço físico. Eles pescavam o peixe espada, as corvinas, os gorazes, os pargos, as pescadas, por vezes com diversos quilos cada. Quando participava nesta pesca, a minha ajuda ficava-se por pôr o peixe no porão. Mas estar numa barca tão pequena, no meio da cava das vagas, por vezes bem grandes, já era o suficiente para mim.&lt;br /&gt;A barca onde eu costumava ir pertencia a um pescador conhecido que vivia perto da casa dos meus parentes, só participava na pescaria da tarde, pois se o meu tio soubesse do meu embarque desancava o pobre do homem.&lt;br /&gt;A barca seguia a rota do Cabo Espichel, quando lá chegava, mudava de rumo para Sul e fazia-se mar dentro durante algum tempo, até alcançar o seu lugar de pesca, um fundo rochoso, a que chamavam a Pedra. Como é que estes homens, sem instrumentos de marear, só por intuição, conseguiam encontrar o seu pesqueiro no meio do mar, sem qualquer ponto de referência, pois a costa não era mais do que ténue linha no horizonte? Sempre me intrigou, e quando perguntava como conseguiam encontrar o lugar, a rir respondiam que era pelo cheiro do peixe.&lt;br /&gt;Também vi os últimos vapores de cerco, barcos de pesca movidos por caldeiras a vapor, antecessores das traineiras movidas a diesel, mas estes eram de Setúbal, só vinham descarregar a Sesimbra.&lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fotografias tiradas da Net&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-111833854641878117?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/111833854641878117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=111833854641878117' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111833854641878117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111833854641878117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/06/sesimbra-parte-ii.html' title='&lt;strong&gt;Sesimbra  (parte II)&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-111687997474774332</id><published>2005-05-23T19:48:00.000Z</published><updated>2005-05-23T20:30:28.610Z</updated><title type='text'>Sesimbra   (Parte l)</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;img src="http://www.geocities.com/j.aldeia/barcos/sesimbra01.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Vista de Sesimbra, nos começos do século XX, antes de ser construída a avenida marginal e o porto de abrigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.trabas.de/bilder/sesimbra.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Vista de Sesimbra actualmente.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia quando me desloco a Sesimbra, não é sem um doloroso confrangimento, que vejo como a “modernidade” ao serviço do laser, descaracterizou impiedosamente, uma das vilas costeiras mais bonitas de Portugal.&lt;br /&gt;Com o confrangimento fazem coro as saudades de um tempo querido, que eu vivi nos anos 50, quando nessa vila passei várias férias grandes escolares, com a duração de dois meses cada.&lt;br /&gt;É esta Sesimbra, que se perdeu no tempo, que a maior parte das pessoas que a visitam hoje não conhecem, que eu quero relembrar , pelas palavras da memória da criança que fui.&lt;br /&gt;Como introdução vamos espreitar um pouco da sua história ao longo dos séculos, que embora não pareça tem muito para contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;A História&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.sesimbra.com/patrimonio/images/castelo3.gif" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;O castelo de Sesimbra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Implantada numa reentrância da orla atlântica do maciço da Arrábida, conheceu o seu primeiro habitante, há cerca de um milhão de anos, o Homo Erectus, quando este chegou proveniente de África.&lt;br /&gt;Foi palco da evolução humana durante todo o Paleolítico e Neolítico. É deste período que se podem encontrar evidências da formação das primeiras sociedades humanas, com rituais funerários e pequenos povoados que viviam da emergente agricultura.&lt;br /&gt;No período da Era dos Metais, é visitada pelas civilizações do mundo mediterrânico, Gregos, Fenícios e Cartagineses, com quem estabeleceu contactos.&lt;br /&gt;Também por ela passaram, no período das grandes conquistas, que começaram no século II a.C., os Romanos, depois no século V durante as invasões Germânicas, desde os Vândalos aos Visigodos, terminando no século VIII com a invasão dos Árabes vindos do Norte de África, que construíram o primeiro castelo para abrigar o povoado.&lt;br /&gt;Objecto de diversas tentativas de conquista por D. Afonso Henriques, o castelo árabe, é totalmente destruído por um califa, vindo a ser reconstruído, quando foi definitivamente conquistado por D. Sancho I, auxiliado pelos cruzados francos, aquém foi doado o povoado.&lt;br /&gt;Em 1236, com a doação do concelho de Sesimbra à Ordem de Santiago, a população expande-se para fora das muralhas, criando a povoação da Ribeira de Sesimbra. Mais tarde em 1536, é então criada a vila de Sesimbra, no local que lhe conhecemos hoje, cuja população participou de modo activo na expansão ultramarina.&lt;br /&gt;Com a perca da independência em 1580, o desenvolvimento da vila começa a regredir com a falta de homens e sobretudo com os ataques de piratas que afectam negativamente o seu crescimento.&lt;br /&gt;Sesimbra só principiou a sua recuperação no reinado de D. João IV que edificou uma linha de fortificações costeiras, entre as quais se conta a fortaleza de S. Tiago no centro da baía de Sesimbra, que ainda hoje está em bom estado de conservação. Contudo as fortificações não foram suficientes para evitar os ataques marítimos dos corsários berberes em 1665 e 1721.&lt;br /&gt;Com a queda dos Duques de Aveiro, últimos representantes da Ordem de Santiago no século XVIII, as terras de Sesimbra, passaram para a tutela real.&lt;br /&gt;No século XIX, a vila vai sofrer imensas vicissitudes, desde a conquista napoleónica até à guerra civil de 1834-1836, que levou ao desmantelamento de vários pontos militares costeiros.&lt;br /&gt;No final do século XIX e princípio do século XX, assistimos ao renovar da vila de Sesimbra, tornando-se um dos mais importantes e pitorescos portos pesqueiros.&lt;br /&gt;É em meados do século XX que eu faço o meu encontro com Sesimbra, ou melhor com o que dela ainda subsistia das suas tradições como vila piscatória. Durante as minhas férias ficava em casa de uns tios avós maternos, que era habitada também por outros familiares, do ramo da tia avó. Todos os homens eram pescadores com a excepção do tio avô, que era leiloeiro na lota, local onde se vendia o peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;O peixe e a lota&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Após os meus pais me deixarem em casa dos tios, e regressarem a Lisboa, a primeira coisa que fazia era descalçar os sapatos para só os tornar a calçar dois meses depois. Descalço e em calção de banho de manhã à noite, com liberdade completa de movimentos, era a criança mais feliz que se possa imaginar. O mundo era todo meu.&lt;br /&gt;Este mundo era o mundo do mar e do peixe. Hoje com a escassez que existe é difícil de imaginar a quantidade de peixe que todos os dias era descarregado na praia para venda.&lt;br /&gt;Na praia sim, na que fica à direita do forte se estivermos voltados para o mar e de costas para a vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.eps-santana.rcts.pt/images/Fotos/ssb43a.jpg" /&gt;&lt;img src="http://www.eps-santana.rcts.pt/images/Fotos/ssb42a.jpg" /&gt;&lt;img src="http://www.eps-santana.rcts.pt/images/Fotos/ssb44a.jpg" /&gt; &lt;img src="http://www.eps-santana.rcts.pt/images/Fotos/marinha.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O peixe era colocado na praia geometricamente ordenado, fazendo lotes específicos para venda, como no caso do peixe espada, da albacora, dos safios e das chaputas. Os pargos, gorazes, as corvinas e as pescadas, tinham direito a destaque. Eram colocados em cima de montículos de areia feitos para esse fim.&lt;br /&gt;O carapau, a sardinha, a sarda e a cavala, eram colocados em caixas de madeira próprias e tradicionais, ou vendidos a granel dentro das próprias embarcações. O espadarte, as toninhas e outros peixes de maior porte eram vendidos individualmente.&lt;br /&gt;As baleias nunca soube onde eram vendidas, já não eram da minha época. Não sabiam que em Sesimbra já se caçou às baleias, quando elas viajavam ao longo da costa portuguesa?&lt;br /&gt;Havia, imaginem, duas lotas por dia. A primeira começava por volta das seis da manhã até cerca do meio dia. A da tarde iniciava-se às seis horas e não tinha hora de terminar, enquanto estivesse a chegar peixe ela não parava, prolongando-se por vezes até às duas da manhã. A lota da manhã era abastecida pela pesca nocturna, a do fim do dia vendia o peixe pescado de tarde. Diariamente passam toneladas e toneladas de peixe fresco pela lota.&lt;br /&gt;Das duas lotas a que mais gostava de participar era na da tarde. Na da manhã limitava-me a ir levar o pequeno almoço ao meu tio por volta das oito horas, uma leiteira e um pão com manteiga.&lt;br /&gt;A lota da tarde, além de mais longa, tinha um encanto muito especial para mim. Depois de cair a noite, por falta de luz artificial, era iluminada com a luz de archotes. É aqui que entrava a minha intervenção. Os archotes eram seguros pelos rapazes da vila, onde eu me incluía, apesar dos protestos do meu tio. Com os pés dentro de água, iluminava-mos a descarga a troco de uma mão cheia de peixe. Eu não precisava do peixe para nada, pois era coisa que não faltava em casa, mas dava-me um prazer enorme ver o meu trabalho recompensado, fazia-me sentir como se fosse um deles.&lt;br /&gt;O peixe à medida que era vendido, era retirado da praia o mais rápido possível, para dar lugar ao que se seguia. Praia cheia, praia vazia durante horas, enquanto durava a descarga do peixe.&lt;br /&gt;O peixe vendido era transportado dentro de caixas, por burros com umas cangalhas especiais para o efeito. Da praia , os burros subiam por uma rampa até o largo da vila sobranceiro ao mar, onde as camionetas dos comerciantes esperavam para serem carregadas.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.geocities.com/j.aldeia/barcos/barco_pesca.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A rampa com algumas barcas da armação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao largo ficavam os barcos de pesca, de que falarei mais adiante, que transbordavam o peixe para pequenas embarcações, as típicas aiolas, que o traziam para terra onde a azáfama era enorme. As aiolas a varar na praia, puxadas pelos homens com as calças arregaçadas, aproveitando o auxílio das ondas, a descarga, o alinhamento do peixe na lota, a venda e por fim a corrida dos burros, que ganhavam ao trajecto.&lt;br /&gt;A música de fundo, protagonizada pelos barítonos pregoeiros, era um imenso e inconfundível coro de vozes e gritos dos participantes desta labuta diária. Tudo isto, sublimemente  odorizado, com o cheiro do peixe fresco e da maresia de um mar tão generoso. &lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fotografias retiradas da Net.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-111687997474774332?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/111687997474774332/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=111687997474774332' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111687997474774332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111687997474774332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/05/sesimbra-parte-l.html' title='&lt;strong&gt;Sesimbra   (Parte l)&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-111549177649902601</id><published>2005-05-07T18:28:00.000Z</published><updated>2005-05-07T18:52:31.890Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;img src="http://www.ancruzeiros.pt/pint-levy06.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#009900;"&gt;A Fragata D.Fernando e Glória&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para recomeçar as minhas publicações, que vão ser unicamente dedicadas ao Mar, escolhi a história do último exemplar “vivo” da nossa marinha, quando esta, romanticamente, navegava ao sabor do vento. A Fragata D. Fernando&lt;br /&gt;A Fragata "D. Fernando II e Glória", o último grande navio à vela da Marinha Portuguesa e também a última "Nau" a fazer a chamada "Carreira da Índia", durante mais de 3 séculos, fez a ligação entre Portugal e aquela antiga colónia. Foi o último grande navio que os estaleiros do antigo Arsenal Real de Marinha de Damão construíram para a nossa Marinha. A Fragata recebeu o nome de "D.Fernando II e Glória", não só em homenagem a D.Fernando Saxe Coburgo Gota, marido da Rainha D.Maria II, mas também por ter sido entregue à protecção de Nossa Senhora da Glória, de especial devoção entre os goeses.&lt;br /&gt;O navio embora construído pelos planos duma fragata de 50 peças, foi de início preparado para receber 60 bocas de fogo, tendo em 1863 / 65 sido transformado para receber só 50, 22 no convés e 28 na bateria. A lotação do navio variava consoante a missão a desempenhar, indo do mínimo de 145 homens na viagem inaugural ao máximo de 379 numa viagem de representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.cidadevirtual.pt/fragata/imagens/foto3.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;A bateria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Fragata tinha boas qualidades náuticas e de habitabilidade, designadamente no que se refere a desafogo das instalações, aspecto este de suma importância numa época em que ainda se faziam viagens, sem escala, de 3 meses, com 650 pessoas a bordo, incluindo passageiros.&lt;br /&gt;A viagem inaugural, de Goa para Lisboa, teve lugar em 1845, com largada em 2 de Fevereiro e chegada ao Tejo, em 4 de Julho. Desde então, foi utilizada em missões de vários tipos até Setembro de 1865, data em que substituiu a Nau Vasco da Gama, como Escola de Artilharia, tendo ainda, em 1878, efectuado uma viagem de instrução de Guarda-Marinhas aos Açores, que foi a sua última missão no mar, onde teve a oportunidade de salvar a tripulação da barca americana "Laurence Boston" que se incendiara.&lt;br /&gt;Durante os 33 anos em que navegou, percorrendo cerca de 100 mil milhas, correspondentes a quase 5 voltas ao Mundo, a "D.Fernando", como era conhecida, provou ser um navio resistente e de grande utilidade, tendo efectuado numerosas viagens à Índia, a Moçambique e a Angola para levar àqueles antigos territórios portugueses unidades militares do Exército e da Marinha ou colonos e degredados, estes últimos normalmente acompanhados de familiares. Chegou até a levar emigrados políticos espanhóis para os Açores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://formiguinhaatomica.no.sapo.pt/DSCN13329.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Sala de jantar dos oficiais&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De entre as missões que lhe foram confiadas, destacam-se a participação como navio-chefe de uma força naval na ocupação de Ambriz, em Angola, que em 1855 se revoltara por instigação da Inglaterra, e, ainda, a colaboração na colonização de Huíla em que, como navio de guerra, teve a insólita e curiosa missão de transportar ovelhas, cavalos e éguas do Cabo da Boa Esperança para Moçamedes (Angola), numa real missão de serviço público. Colaborou, ainda, com o grande sertanejo António Silva Porto, transportando, em 1855, os seus 13 pombeiros da ilha de Moçambique para Benguela, depois destes terem completado a travessia de África, de Benguela à costa de Moçambique.&lt;br /&gt;Em 1889 sofreu profundas alterações para melhor servir como Escola de Artilharia Naval, substituindo-se a antiga e airosa mastreação por três deselegantes mastros inteiriços, com vergas de sinais e construindo-se dois redutos a cada bordo para colocação de peças de artilharia modernas, para instrução, utilização que cessou em 1938.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://formiguinhaatomica.no.sapo.pt/DSCN13290.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Uma vista do convés, roda do leme&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em 1940, não estando já em condições de ser utilizada pela Marinha, iniciou uma nova fase da sua vida, fundeada no Tejo, passou a servir como sede da "Obra Social da Fragata D. Fernando", criada para recolher rapazes oriundos de famílias de fracos recursos económicos, que ali recebiam instrução escolar e treino de marinharia, até que, em 1963, um violento incêndio a destruiu em grande parte. Este belo veleiro, que durante anos foi um verdadeiro ex-libris do Tejo e serviu de modelo a muitos pintores, como o Rei D.Carlos, esteve no estuário deste rio encalhado e adornado sobre bombordo, durante 3 décadas, teimando em mostrar que o desgaste natural do tempo se devia sobrepor ao esquecimento dos homens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.cidadevirtual.pt/fragata/imagens/30h.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O resto do casco ardido&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em Janeiro de 1992 o casco do navio foi removido do local onde se encontrava e transportado, em Setembro de 1992, numa doca flutuante para o estaleiro da "Ria-Marine", em Aveiro, para efectuar o restauro estrutural. Estes trabalhos que foram dados por concluídos, em 08 de Abril de 1997, com o lançamento à água da D.Fernando Esta seguiu, depois a reboque, para o Arsenal do Alfeite onde foi feito o aprestamento e o apetrechamento museológico, última fase do projecto de recuperação da Fragata, que foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 28 de Abril de 1998. A "D. Fernando" foi entregue ao Museu de Marinha e figura, em cais próprio, na Expo'98, no ano que marca a chegada de Vasco da Gama à Índia, por mar. Como museu vivo que se pretende que seja, a Fragata "D.Fernando II e Glória", para além do apetrechamento próprio de um veleiro do séc. XIX e da reconstituição de cenas da vida de bordo dessa época, vai poder ser utilizada como local de exposições temporárias, de concertos e conferências, utilizando-se para isso o convés, a coberta e a bateria do navio. Serão privilegiadas para a utilização destes espaços as entidades, organismos e empresas que, com o seu contributo financeiro ou de outra natureza, ajudaram a tornar possível este projecto.&lt;br /&gt;A Fragata "D.Fernando" irá ser pois um testemunho eloquente da brilhante história marítima portuguesa, orgulho para as gerações actuais e um exemplo para as gerações futuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Texto da Comissão Fragata D. Fernando da autoria de Jorge Pinto e Tiago Andrade e Silva&lt;br /&gt;Fotografias recolhidas na Net&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-111549177649902601?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/111549177649902601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=111549177649902601' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111549177649902601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111549177649902601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/05/fragata-d.html' title=''/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-111433659214690725</id><published>2005-04-24T09:47:00.000Z</published><updated>2005-04-24T09:56:32.146Z</updated><title type='text'>Aviso à navegação</title><content type='html'>Brevemente a questaocontinuada vai reiniciar as suas publicações, que serão dedicadas exclusivamente ao tema que me é mais caro O MAR.&lt;br /&gt;Por aqui vão ser abordados todos os assuntos referentes a ele, lições de marinharia e navegação, navegadores célebres, navios que fizeram história, aldeias pescatórias, artes de pesca etc., em resumo, de tudo um pouco, entre o que é conhecido e o que se desconhece.&lt;br /&gt;Para quem gosta do MAR, valerá a pena visitar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-111433659214690725?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/111433659214690725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=111433659214690725' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111433659214690725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/111433659214690725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/04/aviso-navegao.html' title='&lt;strong&gt;Aviso à navegação&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110588804597265967</id><published>2005-01-16T15:05:00.000Z</published><updated>2005-01-16T15:07:25.973Z</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>A Questão Continuada mudou de casa, a nova morada é &lt;a href="http://klepsidra.blogspot.com/"&gt;klepsidra.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110588804597265967?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110588804597265967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110588804597265967' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110588804597265967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110588804597265967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/01/mudana.html' title='&lt;strong&gt;Mudança&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110583387337263056</id><published>2005-01-16T12:14:00.000Z</published><updated>2005-01-16T00:11:01.840Z</updated><title type='text'>Apelo para a Humanidade</title><content type='html'>Tivemos a tristeza de ver recentemente o Tsunami, causando uma grande destruição e vitimando um número inconcebível de pessoas em sete países da Ásia. Sabemos que esse tipo de facto é um acontecimento natural, porém havemos de analisar e acrescentar que a intensidade desse tsunami mostra-nos claramente que o desequilíbrio ambiental é, incontestavelmente, potencializador de forças naturais deste porte. Cabe a nós, definitivamente, uma reflexão séria sobre o assunto e buscarmos maneiras mais correctas de lidarmos com o espaço que vivemos, para que não sejamos nós os responsáveis por catástrofes desta natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós blogueiros, propomos desde já, unirmo-nos em um alerta para a humanidade, e implantarmos cada um de nós, a nosso modo e em nosso ambiente, medidas práticas de mudanças!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tempo de se falar abertamente. É tempo de se abordarem as questões em profundidade e não de forma restritiva. É tempo enfim, de se falar a sério sobre a questão ambiental e ecológica. Sobre a humanidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com razão. É que cada vez mais se toma consciência de que o combate pela preservação, não tem fronteiras, não é regionalizável e de que a resposta ou é global ou não será resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As chuvas ácidas, o efeito de estufa, a poluição dos rios e dos mares, a destruição das florestas, não têm azimute nem pátria, nem região. Ou se combatem a nível global ou ninguém se exime dos seus efeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ainda respiram. Mas por quanto tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os desertos ainda deixam que reverdejem alguns espaços estuantes de vida. Mas vão avançando sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há manchas florestais não decepadas nem ardidas. Mas é cada vez mais grave o deficit florestal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há saldos de crude por extrair, de urânio e cobre por desenterrar, de carvão e ferro para alimentar as grandes metalurgias do mundo. Mas à custa de sucessivas reduções de reservas naturais não renováveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua singeleza, o caso é este:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora temos assistido a um modelo de desenvolvimento que resolve as suas crises crescendo cada vez mais. Só que quanto mais se consome, mais apelo se faz à delapidação de recursos naturais finitos e não renováveis, o que vale por dizer que não é essa uma solução durável, mas ela mesma finita em si e no tempo que dura. Por outras palavras: é ela mesmo uma solução a prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significa isto que, ou arrepiamos caminho, ou a vida sobre a terra está condenada a durar apenas o que durar o consumo dos recursos naturais de que depende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos iludamos. A ciência não contém todas as respostas. Antes é portadora das mais dramáticas apreensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há de novo e preocupante nos dias de hoje, é um modelo de desenvolvimento meramente crescimentista – pior do que isso, cegamente crescimentista – que gasta o capital finito de preciosos recursos naturais não renováveis, que de relativamente escassos tendem a sê-lo absolutamente. E se podemos continuar a viver sem urânio, sem ferro, sem carvão e sem petróleo, não subsistiremos sem ar e sem água, para não ir além dos exemplos mais frisantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a necessidade absoluta de uma resposta global. Tão só esta necessidade de globalização das respostas, dá-nos a real dimensão do problema e a medida das dificuldades das soluções. Lêem-se o Tratado de Roma, O Acto Único Europeu e mais recentemente as conclusões da Conferência de Quioto, do Rio de Janeiro e Joanesburgo, onde ficou bem patente a relutância dos países mais industrializados, particularmente dos Estados Unidos, em aceitar a redução do nível de emissões. Regista-se a falta de empenhamento ecológico e ambiental das comunidades internacionais e dos respectivos governos, que persistem nas teses neoliberais onde uma economia cega desumanizada e sem rosto acabará por nos conduzir para um beco sem saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado todos temos sido incapazes de uma visão mais ampla e intemporal. Se houver ar puro até ao fim dos nossos dias, quem vier depois que se cuide!... e continuamos alegremente a esbanjar a água do cantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que o empresário que projectou a fábrica está psicológica ou culturalmente preparado para aceitar sem sofismas nem reservas as conclusões de uma avaliação séria do respectivo impacto ambiental?&lt;br /&gt;Mesmo sem sacrificar os padrões de crescimento perverso a que temos ligados os nossos hábitos, há medidas a tomar que não se tomam, como por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levar até ao limite do seu relativo potencial o uso da energia solar e da energia eólica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levar até ao limite a preferência da energia hidráulica sobre a energia térmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressar à preferência dos adubos orgânicos sobre os adubos químicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corrigir o excessivo uso dos pesticidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Travar enquanto é tempo a fúria do descartável, da embalagem de plástico, dos artigos de intencional duração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressar ao domínio do transporte ferroviário sobre o rodoviário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repensar a dimensão irracional do transporte urbano em geral e do automóvel em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repensar, aliás, a loucura em que se está tornando o próprio fenómeno do urbanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reformular a concepção das cidades e das orlas costeiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito de outro modo: a moda política tende a ser, um constante apelo às terapêuticas de crescimento pelo crescimento. È tarde demais para desconhecermos que, quando a produção cresce, as reservas naturais diminuem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há porém um fenómeno que nem sempre se associa ás preocupações da humanidade. Refiro-me à explosão demográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mais ou menos rigor matemático, é sabido que a população cresce em progressão geométrica e os alimentos em progressão aritmética. Assim, em menos de meio século, a população do globo cresceu duas vezes e meia !...&lt;br /&gt;Nos últimos dez anos, crescemos mil milhões!... Sem grande esforço mental, compreendemos aonde nos levará esta situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é de um homem mais sensato e responsável que se precisa, um homem que olhe amorosamente para este belo planeta que recebeu em excelentes condições de conservação e está metodicamente destruindo; de um homem que jure a si mesmo em cadeia com os seus semelhantes, fazer o que for preciso para que o ar permaneça respirável, que a água seja instrumento de vida e dela portadora, e os equilíbrios naturais retomem o ciclo da auto sustentação, empenhemo-nos desde já nessa tarefa, com persistência e determinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é a continuação da vida sobre a terra que está em causa, e em segunda linha a qualidade de vida, para quê perder mais tempo?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso apelamos a todos quantos se queiram associar a este movimento pela preservação Natureza, pela Paz e pelo desenvolvimento harmonioso da Humanidade, para subscreverem este Apelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazê-lo estamos a afirmar a nossa cidadania, enquanto pessoas livres, que olham com preocupação o futuro da Humanidade, o futuro dos nossos filhos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110583387337263056?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110583387337263056/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110583387337263056' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110583387337263056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110583387337263056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/01/apelo-para-humanidade.html' title='Apelo para a Humanidade'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110556508712831072</id><published>2005-01-12T20:50:00.000Z</published><updated>2005-03-28T13:57:09.303Z</updated><title type='text'>Hatshepsut</title><content type='html'>O Egipto Antigo não foi estranho ao governo de mulheres. Para além da conhecida Cleópatra ptolemaica, a rainha mais célebre foi sem sobra de dúvida Maak Ka Ra, mais conhecida como Hatshepsut, que reinou durante a XVIII dinastia no Novo Império.&lt;br /&gt;Filha do faraó Tutmés I, nasceu em 1490 a.C., no palácio real de Tebas. O seu estatuto de princesa permitiu-lhe aprender a ler, escrever e todas as noções que só eram privilégio da realeza.&lt;br /&gt;Era desejo de seu pai que ela fosse a futura soberana após a sua morte, mas foi o filho de um concubina que chegou ao trono com o nome de Tutmés II. &lt;br /&gt;Naquela época, Tutmés II só podia legitimar o seu cargo de faraó se casasse com uma mulher da família real. E foi esta a razão que levou Hatshepsut a casar com o seu meio-irmão.&lt;br /&gt;Cedo Hatshepsut tomou as rédeas do poder, pois seu marido, Tutmés II, era um homem muito débil e enfermo, mas o infortúnio quis que o marido morresse quinze anos após a sua ascensão ao trono.&lt;br /&gt;Como sucessor apareceu Tutmés III, filho menor de seu marido e de uma concubina chamada Mutnefer. Este bastardo não estava destinado a reinar, pois para além da morte prematura do faraó, encontrava-se a viver no templo de Amon educando-se para ser sacerdote.&lt;br /&gt;Ao saber-se que seria o futuro faraó do Egipto casaram-no com Nefru-Ras, uma das filhas da rainha,  com a intenção de formar uma linha dinástica , ficando a aguardando ser faraó, uma vez que só tinha sete anos de idade, assumindo Hatshepsut a regência.&lt;br /&gt;Formaram-se então dois partidos, um que defendia a sucessão ao trono de Tutmés III e outro que era partidário da regente. Isto prova que Hatshepsut transformou a regência num verdadeiro reinado.&lt;br /&gt;O clero, partidário de Hatshepsut, inventou um mito, que segundo o qual, Amon lhe havia oferecido o trono, encarnando a figura de Tutmés I quando concebeu com a rainha Ahmose, a sua amada filha Hatshepsut, estando portanto legitimada a governar o Egipto.&lt;br /&gt;O desenvolvimento da ideia de monarquia baseada na divindade do rei, era o reaparecimento do sistema político religioso do Império Antigo, que fazia do rei a encarnação de Ra sobre a terra, o deus vivo.&lt;br /&gt;O poder real totalmente independente do homem, só dependia de deus. Portanto, a lei não pode legitimar o trono, só Amon o pode fazer.&lt;br /&gt;A rainha tomou um lugar superior ao cargo que lhe era ortogado. Os documentos da época representam Hatshepsut seguida de seu sobrinho.&lt;br /&gt;Ela afirmou os seus direitos pessoais de soberania fazendo-se representar como faraó, vestida como um homem e adoptando o protocolo completo, incluindo a pêra postiça, dos reis do Egipto.&lt;br /&gt;Uma vez no trono, iniciou o seu reinado consolidando o domínio sobre a Núbia, comandando ela própria o exército. Posteriormente organizou algumas expedições mercantis ao país do Punt.&lt;br /&gt;Toda a sua actividade governativa ficou perpetuada, por pinturas ou baixo-relevos, no templo que mandou construir em Deir el-Bahari.&lt;br /&gt;O templo, obra do arquitecto Senenmut, situava-se na margem esquerda do Nilo. No seu amplo anfiteatro formado por rochas que alcançavam 130 metros de altura, situavam-se três terraços sucessivos e aos quais se podia aceder por uma grande rampa central, que termina no santuário de Amon, inteiramente esculpido na rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.secker.fsbusiness.co.uk/Assets/hats_dbahri.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante 20 anos Tutmés III viu a sua tia governar o Egipto, usurpando-lhe o trono, contando para isso com a ajuda do seu arquitecto e amante Senenmut, do supremo sacerdote de Amon e de todos os chefes dos sacerdotes do Norte e Sul, a quem ela concedeu inúmeros privilégios.&lt;br /&gt;Após estar muitos anos no poder, governando em paz e erigindo monumentos para glorificar os deuses, Hatshepsut desapareceu de uma maneira estranha.&lt;br /&gt;Não se sabe se morreu de morte natural ou se foi assassinada num golpe de Estado, levado a efeito pelo seu sobrinho Tutmés III.&lt;br /&gt;A verdade é que desejou ser lembrada como soberana e desapareceu da história. Tutmés III quando subiu ao trono apagou todos os vestígios de Hatshepsut, mandando destruir todas as estatuas e baixos relevos que a representavam.&lt;br /&gt;Ela permaneceu desaparecida por mais de 3.000 anos, até que arqueólogos descobriram o seu túmulo em Deir el-Bahari. O túmulo onde descansaria para toda a eternidade, contudo, não continha os seus restos mortais, ficando por descobrir as causas da sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.hatshepsut.it/immagini/musici3.jpg"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110556508712831072?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110556508712831072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110556508712831072' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110556508712831072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110556508712831072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/01/hatshepsut.html' title='&lt;strong&gt;Hatshepsut&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110505111917704822</id><published>2005-01-06T22:31:00.000Z</published><updated>2005-03-28T13:57:38.436Z</updated><title type='text'>Olá Lucy</title><content type='html'>Viajar no tempo é igual à velocidade da imaginação, um instante, e num instante me encontrei em África, há 4 milhões de anos atrás, mais propriamente na Etiópia, frente a frente com uma criatura que à primeira vista me parecia um macaco.&lt;br /&gt;Mas macaco não podia ser, pois estava de pé, direita e caminhava como eu. De pequena estatura, com  altura de uma criança, cerca de um metro e vinte centímetros, tinha todo o corpo coberto com um pelo espesso de cor acastanhada, e os braços, como reparei, eram mais compridos do que os nossos, mais parecidos com os dos macacos.&lt;br /&gt;Mas braços de macaco não podiam ser, pois ao tentar-me tocar, fê-lo com a palma da mão e não com as costas, como fazem os macacos.&lt;br /&gt;A cabeça, apresentava uma face também com muito pelo, sobrancelhas muito grandes e proeminentes, nariz pequeno e recolhido e as mandíbulas expandidas para a frente, o que lhe dava um aspecto de macaco, mas os seus olhos tinham um olhar de humano.&lt;br /&gt;Ao olhar para o peito, verifiquei que era uma fêmea jovem, o peito já bastante desenvolvido, não apresentava pelos e estava um pouco descaído.  Faz lhe falta um soutien, pensei eu.&lt;br /&gt;Ao tentar olhar para mim, a diferença de altura do seu 1,20 m para o meu 1,86 m, obrigou-a a inclinar a cabeça para trás, e na boca entreaberta pude ver que os dentes não eram grandes como os do macaco, mas muito mais pequenos, parecidos com os nossos.&lt;br /&gt;Vi os seus olhos assustados olharem-me espantados, mas com doçura. &lt;br /&gt;Ficámos sem nada dizer durante algum tempo, até que eu quebrei o silêncio, e perguntei. Quem és tu?&lt;br /&gt;Olhou para mim e com um sorriso respondeu. Sou a Lucy, a tua ancestral bisavó, a quem os vossos cientistas alcunharam de Australopithecus afarensis.&lt;br /&gt;Ainda não refeito da surpresa, ouvi um barulho entre as ervas, e delas saiu outra criatura idêntica, só que muito mais corpulenta, a diferença entre eles era mesmo muito grande, talvez a Lucy tivesse 65% do tamanho dele, aquilo a que nós damos o nome de dimorfismo sexual.&lt;br /&gt;Numa das mãos tinha um fruto que vinha a comer e na outra umas ervas, para serem também comidas possivelmente. Vegetariano, deduzi.&lt;br /&gt;Fiquei apreensivo com o tamanho da criatura, mas ela ao ver o meu ar aflito, disse, apresento-te o teu ancestral avô.&lt;br /&gt;Estava deliciado, apetecia-me sentar no chão e ficar a conversar com eles o resto da tarde, mas o relógio indicava que o meu tempo de viagem se tinha esgotado, e num instante voltei à realidade do presente.&lt;br /&gt;Lucy, como vim a saber mais tarde, morreu com a idade de 20 anos, num acidente ao tentar atravessar um rio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110505111917704822?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110505111917704822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110505111917704822' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110505111917704822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110505111917704822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2005/01/ol-lucy.html' title='&lt;strong&gt;Olá Lucy&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110448764145636955</id><published>2004-12-31T10:05:00.000Z</published><updated>2004-12-31T10:07:21.456Z</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>Em finais de Agosto de 2004, por insistência da minha mulher, criei um blog. O meu primeiro texto deveria ter sido a minha apresentação, para que os visitantes soubessem que tipo de leitura se poderia esperar nele. &lt;br /&gt;Mas como mais vale tarde do nunca, lá vai.&lt;br /&gt;Sou português, do sexo masculino, natural de Lisboa, com a idade que a balança marca, pondo o peso da idade num prato e no outro o peso da maturidade e da juventude das ideias.&lt;br /&gt;No Liceu recebi a base cultural indispensável aos alunos que o frequentavam. Isso já se perdeu, e hoje é uma tristeza constatar a falta de conhecimentos que a maior parte das pessoas têm.&lt;br /&gt;Querendo sempre saber mais, e encontrar as causas e as respostas para os problemas do homem, deitei mãos à obra e tornei-me numa espécie de autodidacta, orientando os meus estudos nesse sentido.&lt;br /&gt;Partindo do lema que: o estudo da história ajuda-nos a compreender o presente e a vaticinar o futuro, iniciei os meus estudos recuando no tempo 6.000.000 anos, indo ao encontro do Orrorin Tugenensis,  procurando as nossas origens e conhecer a nossa evolução até ao homo sapiens sapiens. &lt;br /&gt;Encontrado o homo sapiens sapiens, apreciei a sua evolução passeando pela Pré-História  (Paleolítico e neolítico) com ele até à sua sedentarização, e aparecimento das primeira civilizações, quer no Próximo Oriente, Médio Oriente e Extremo Oriente. &lt;br /&gt;Assisti ao desenvolvimento cultural e económico das principais civilizações da Mesopotâmia, do Egipto, da Fenícia, da Índia, da China, do Japão, do Sul da Europa (Grécia, onde felicitei Péricles pela beleza de Atenas e Fídias pelo seu talento e Roma, onde ouvi Cícero discursar, e César desfilar vindo da Gália Transalpina), da Europa Central, da Europa do Norte e da Europa Oriental.&lt;br /&gt;Na Europa assisti à chegada dos Indo-europeus, dei as boas vindas aos Celtas, aos Germanos, aos Eslavos,  aos Fineses, aos Citas, aos Cazares e aos Pechenegos. Vi nascerem e desaparecerem impérios, a paz e a guerra entre as nações.&lt;br /&gt;Também África não ficou esquecida. Visitei os principais reinos de África: O reino de Cuxe, o reino de Axum, o reino do Gana, o reino dos Malis, o reino de Songai e tantos outros, que mostram quanto foi evoluída a cultura africana na Idade Média e antes desta.&lt;br /&gt;Fui companheiro de viagem dos homens que vindos da Europa atravessaram o estreito de Bering no fim da glaciação Würm, ocasião em que o nível do oceano era mais baixo e o Alasca estava ligado à Sibéria por terra firme, e começaram a colonizar a América.&lt;br /&gt;Vi como eles desceram o continente americano, dando origem aos diversos povos e civilizações que tanto nos têm deslumbrado.&lt;br /&gt;No extremo norte, ficaram os Esquimós, depois em clima mais temperado ficaram as culturas neolíticas do Norte da Eurási, a cultura Anasazi, com os seus “cesteiros” e os índios Pueblos. Também confraternizei com os Musklogees, Cherokees, Arapahos, Cheynnes, Comanches e muitos outros.&lt;br /&gt;Continuei a descida e estive com os Olmecas, Os Maias, adorei a cidade de Teotihuacán, os Toltecas, os Astecas e fui convidado pelos Incas para visitar Machu Picchu. &lt;br /&gt;Inteiramente ligada à História está a Filosofia, saber como evoluiu o pensamento humano era imprescindível. Pegando no primeiro representante da escola Jónica, Tales de Mitelo, percorri cronologicamente os Pitagóricos, os Elatas e os Sofistas. Ouvi Sócrates, frequentei a Academia de Platão e no Liceu de Aristóteles passeei entre os discípulos ouvindo a palestra do mestre. Também ouvi o que tinham para dizer os adeptos do Cepticismo e do Estoicismo e os Neoplatónicos. &lt;br /&gt;Assisti ao nascimento da Filosofia Cristã, com a Patrística e no Maniqueísmo  ouvi Santo Agostinho a contar as suas aventuras amorosas da juventude. Gostei muito dos filósofos islâmicos dos quais destaco El-Kindi, Avicena e Averróis, que viveram no tempo da Espanha árabe, o Al-Andaluz, expoente máximo da cultura islâmica. A sombria Escolástica, o Tomismo chegando ao Humanismo e por aí diante até aos nossos dias.&lt;br /&gt;Ao estudar a Filosofia era incontornável deitar uma olhadela nas religiões tão intimamente ligadas a ela. Estudei o Judaísmo e assisti à diáspora, no Islamismo acompanhei Maomé na hégira, no Cristianismo escutei Jesus e no Hinduísmo assisti à chegada dos Vedas.&lt;br /&gt;São muitos e muitos anos de estudo, e um total aproximado de sete mil e quinhentas páginas escritas de apontamentos, que tenho devidamente ordenados e encadernados.&lt;br /&gt;Se há paixões, esta é a minha, saber e procurar saber cada vez mais.&lt;br /&gt;Detentor, sem modéstia, de um conhecimento bastante vasto, foi sempre minha preocupação, saber quais seriam os temas mais interessantes para as pessoas que me visitam.&lt;br /&gt;Por vezes não é fácil escrever um texto aligeirado sobre um tema importante, e é aqui que tenho medo de falhar. Gostaria de compartilhar inúmeros conhecimentos só que não sei, pelo que vejo publicado nos outros blogs, se teriam algum interesse.&lt;br /&gt;Com tantas coisas interessantes que sei, acho que vou correr o risco de não agradar, o futuro o dirá.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110448764145636955?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110448764145636955/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110448764145636955' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110448764145636955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110448764145636955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/12/apresentao.html' title='&lt;strong&gt;Apresentação&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110407990302660888</id><published>2004-12-26T16:44:00.000Z</published><updated>2005-03-28T13:59:05.333Z</updated><title type='text'>A Arca de Noé</title><content type='html'>A propósito do que foi publicado num post que não vou identificar, a respeito da arca de Noé, que defendia a tese de que a epopeia desta teria ocorrido nos Estados Unidos, mais concretamente no Grande Canyon, pressuposto apostolado de alguma das muitas religiões existentes naquele país, somente seguidas por gente inculta. Contrariando os fundamentos de tal afirmação, e na procura da explicação para o que se supõe ter acontecido, passo a expor o seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o fundamento bíblico do Antigo Testamento, no Pentateuco na sua parte primeira a Génisis, é proveniente de lendas originárias na Suméria.&lt;br /&gt;O patriarca Abraão descrito na Bíblia era um sumério, que antes da sua partida para Canãa,  vivia em Ur, no sul da Mesopotâmia. Ur era ao tempo uma próspera cidade da Suméria.&lt;br /&gt;Para podermos ter uma ideia da origem dos factos descritos na Génisis, torna-se necessário debruçar-nos um pouco sobre a religião e mitologia da Suméria, a fim de podermos verificar as semelhanças.&lt;br /&gt;Os Sumérios viam a origem de todas as coisas em dois princípios opostos: Apsu, princípio masculino, o princípio do bem e Tiamat, princípio feminino, o princípio do mal.&lt;br /&gt;Da união destes dois princípios nasciam os deuses; em primeiro lugar, o deus do céu e a deusa da terra. Da união destes nasceram três filhos, os maiores dos deuses propriamente ditos: Anu, que reinava no céu, Ea, que reinava no mar, e Enlil que reinava na terra.&lt;br /&gt;Ea tinha criado o homem a partir do barro, mas, como Enlil era o deus da terra, a Suméria e toda a humanidade estavam sob o seu poder.&lt;br /&gt;Os três deuses também tinham criado o Sol, a Lua e os planetas. Diversos deuses eram associados aos corpos celestes, ideia que viria a ser retomada por civilizações posteriores, sobretudo egípcia e grega.&lt;br /&gt;Enlil descontente com os homens, e com a aprovação dos outros deuses, resolveu castigá-los pelos seus pecados enviando-lhes uma terrível inundação. Mas Ea, o deus do mar, opunha-se a este projecto e deu conhecimento ao seu amigo Utnapishtim; este construiu então um barco, que o protegeu, assim como à sua família e aos seus animais. Em seguida, os outros deuses também lamentaram ter enviado o Dilúvio e alegraram-se com o facto de o género humano ter sobrevivido à inundação.&lt;br /&gt;Os Sumérios faziam uma ideia muito sombria a respeito do que os esperava depois da morte. O homem, sob a forma de espírito, continuava a sua existência nos Infernos. O deus Nergal reinava nos Infernos, assistido por um grupo de espíritos maléficos. Os Infernos eram sombrios e frios; vestidos de plumas, os espíritos dos defuntos erravam e alimentavam-se de lama e poeira.&lt;br /&gt;Depois da morte ninguém alcançava a felicidade. Por isso os Sumérios prestavam culto aos seus deuses sem outra esperança senão a de adquirirem bens terrestres, como a saúde, a riqueza ou a vitória. A sua fé comportava, no entanto, algumas obrigações morais: quem queria atrair o favor dos  deuses para viver feliz na Terra não devia ter pecados.&lt;br /&gt;Muitos dos mitos dos Sumérios tomavam uma forma poética nas lendas elaboradas a respeito de heróis semelhantes a deuses. O mais conhecido destes heróis sumérios foi Gilgamesh. &lt;br /&gt;A sua epopeia, a maior criação poética anterior a Homero, revela a inquietude pela descoberta do mundo para além da morte e a preocupação face à morte. &lt;br /&gt;Gilgamesh e Enkidu, seu amigo inseparável, percorrem uma vida heróica, cheia de aventuras até que Enkidu morre. Enlouquecido pela perda do amigo, Gilgamesh propõe-se conquistar a imortalidade, tentando roubar aos deuses os frutos da árvore da vida para oferecer aos homens e torná-los imortais. Após uma viagem cheia de dificuldades vai ter com Utnapishtim, pai da humanidade pós-diluviana, que lhe diz onde cresce a árvore da vida, mas adverte-o também de não ser possível a imortalidade, pois os deuses ao criarem o homem decretaram o carácter inexorável da morte. Gilgamesh, contudo, prossegue a busca da árvore, mas quando a encontra é arrebatado pela serpente. &lt;br /&gt;Noé ou Utnapishtim, como lhe queiramos chamar, não passam de personagens da religião dos sumérios, aproveitada pelos que procuraram fundamentos bíblicos para justificarem a sua origem e o seu credo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110407990302660888?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110407990302660888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110407990302660888' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110407990302660888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110407990302660888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/12/arca-de-no.html' title='&lt;strong&gt;A Arca de Noé&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110347878977130781</id><published>2004-12-19T17:48:00.000Z</published><updated>2005-03-28T14:00:15.600Z</updated><title type='text'>Natal é um tempo...</title><content type='html'>...para as guerras pararem&lt;br /&gt;...para fazer a paz&lt;br /&gt;...para ajudar os desfavorecidos&lt;br /&gt;...para acarinhar os velhos&lt;br /&gt;...para perdoar&lt;br /&gt;...para reconciliar&lt;br /&gt;...para amar o próximo&lt;br /&gt;...para dar amor&lt;br /&gt;...para eternizar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Votos de Boas Festas para todos os visitantes deste blog, e um especial abraço natalício aos que têm a pachorra de o comentar.&lt;br /&gt;Tudo de bom que a vida vos possa oferecer.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110347878977130781?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110347878977130781/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110347878977130781' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110347878977130781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110347878977130781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/12/natal-um-tempo.html' title='&lt;strong&gt;Natal é um tempo...&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110314525913350652</id><published>2004-12-15T21:10:00.000Z</published><updated>2004-12-15T21:30:43.856Z</updated><title type='text'>O Jesus "desconhecido"</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.sitesud.pro.br/images/JCSERMON.JPG"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos quatro Evangelhos, segundo S. Mateus, S. Lucas, S. Marcos e S. João, só os dois primeiros fazem uma abordagem,  não muito esclarecedora e por vezes discordante, ao nascimento e infância de Jesus, até aos 12 anos de idade.&lt;br /&gt;Os dezasseis anos sequentes até  o seu reaparecimento com 28 anos, são completamente omitidos no Novo Testamento, deixando em aberto, todas as conjecturas e hipóteses possíveis.&lt;br /&gt;Nesta perspectiva não relego o ensejo de apresentar a minha opinião sobre esse tempo desconhecido da vida de Jesus, propondo uma hipótese, para o preenchimento desse espaço vazio, fundamental na sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da dominação política da Judeia pelos estrangeiros, o judaísmo manteve quase sempre intactas as suas instituições religiosas.&lt;br /&gt;Os principais grupos organizados entre os Judeus eram o dos Saduceus e o dos Fariseus.&lt;br /&gt;O primeiro, integrado por sacerdotes e aristocratas, exerciam grande influência política e económica e mantinham boas relações com Roma. Embora seguissem estritamente a lei mosaica, os Saduceus, fortemente impregnados da cultura helénica, negavam a vida após a morte e o messianismo.&lt;br /&gt;Os fariseus tinham mais preocupações religiosas que políticas Faziam um esforço para manter viva a fé judaica longe de todo o contacto com a paganismo. Acreditavam na vida eterna e eram ardorosos na sua esperança messiânica.&lt;br /&gt;Havia também pequenos grupos de vida mística, reunidos em comunidades de fé e trabalho. Um dos mais importantes desses grupos era a comunidade de Qum ran, radicada na margem do mar Morto, vinculada aos Essénios. &lt;br /&gt;Tais comunidades observavam a lei, mantinham rituais de purificação periódica, renovavam constantemente a sua adesão à aliança com Deus e  &lt;strong&gt;participavam de uma refeição sagrada de pão e vinho.&lt;/strong&gt; Acreditavam no estabelecimento próximo de um reino trazido por um novo profeta.&lt;br /&gt;Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, os Essénios existiam desde o ano 150 a.C. Aceitavam na imortalidade da alma e o castigo ou recompensa após a morte. Tanto João Batista como Jesus Cristo pertenceram à comunidade dos Essénios.&lt;br /&gt;A influência predominante entre as camadas mais cultas da população era, contudo, a do pensamento filosófico grego. As virtudes naturais ensinadas por Sócrates, a ideia da imortalidade da alma, de Platão, a fagulha divina e o logos de Aristóteles foram algumas das ideias que moldaram o futuro pensamento cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste contexto que vamos ao encontro de José e Maria, em Nazaré, a conversar com um velho rabino, que ficara espantado com as aptidões demonstradas por Jesus, quando da sua conversa com os doutores do Templo em Jerusalém.&lt;br /&gt;Para o velho estudioso, a vida de carpinteiro que lhe estava reservada na companhia de seus pais, não estava adequada aos seus conhecimentos, que mereciam muito mais. Tentava o velho rabino convencer José e Maria a deixarem o filho ir estudar com os letrados da tribo. &lt;br /&gt;Convencidos os pais, da melhor perspectiva de vida para o filho, Jesus passou os seis anos seguintes em aprendizagem com os anciãos, demonstrando cada vez mais a sua inteligência e intuição para a compreensão do pensamento grego.&lt;br /&gt;Aos dezoito anos, não havendo mais nada de novo para aprender, e notabilizado pelo seu saber, os anciãos da tribo, resolvem proporcionar-lhe a continuação dos seus estudos, no maior centro cultural da época, Alexandria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Alexandria, por empenhamento dos anciãos da sua tribo, entra em contacto com Fílon, o principal representante da escola filosófica de Alexandria. Fílon, filósofo judeu, eminente representante da cultura judaica helenística, tentou a harmonização dos ensinamentos do judaísmo com os princípios do pensamento grego, em especial platónico e estóico.&lt;br /&gt;É junto de Fílon que Jesus passará os próximos dez anos em Alexandria, estudando os filósofos gregos, que lhe moldarão a maneira de pensar, agir e conceber o mundo.&lt;br /&gt;No estoicismo encontrou o modelo ético para a sua vida. O estoicismo, foi criado por Zenão de Cítio por volta do ano 300 a.C., pela necessidade de um guia moral na época de transição da Grécia clássica para a helenística.&lt;br /&gt;A capacidade do homem de pensar, projectar e falar está amplamente incorporada ao universo. A natureza cósmica ou Deus e o homem relacionam-se um com o outro, intimamente, como agentes racionais.( &lt;strong&gt;Deus é o pai&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;Esta filosofia afirma que sabedoria reside na aceitação serena de todas as contingências da vida, vivendo em harmonia com a ordem natural das coisas.&lt;br /&gt;Pelo platonismo reconhece Deus como o ser em si, ainda quer também como um ser puro, identificável com o Bem ou a Ideia das Ideias  (Platão): o homem só pode chegar até Ele pelo êxtase ou intuição.&lt;br /&gt;Entre Deus e o cosmos material existem «intermediários» que conservam entre si uma relação hierarquia. Imediatamente de pois de Deus está o logos, lugar das ideias que equivale à palavra ou voz de Deus que permite a formação do mundo sensível a partir das ideias inteligíveis nele contidas e que servem de modelo (&lt;strong&gt;concepção do Espírito Santo&lt;/strong&gt;). Depois do Logos, situam-se a sabedoria divina, o homem divino, o espírito e os anjos.&lt;br /&gt;A noção de uma fonte universal e modeladora de tudo o que existe, uma alma inteligente que se expressa na razão humana,  isto é, o próprio Deus dentro de cada um.(&lt;strong&gt;O homem filho de Deus&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;Também não lhe vão ser estranhos Sócrates, Aristóteles e Diógenes na formação do seu carácter e na contribuição do seu próprio pensamento filosófico.&lt;br /&gt;Durante os dez anos que passou em Alexandria, com a influência de Fílon, faz uma simbiose do pensamento judaico com o pensamento grego, da qual resultará a sua filosofia de vida, baseada fundamentalmente no amor pelo próximo e no desaparecimento de classes sociais e na justiça social.&lt;br /&gt;Aos 28 anos, homem feito, detentor do seu próprio pensamento, resolve abandonar Alexandria, regressar à Galileia, e divulgar o seu conceito de vida, completamente revolucionário para a época. &lt;br /&gt;Uma vez chegado à galileia, à semelhança dos gregos, forma também a sua escola peripatética, dando início à divulgação  das suas ideias.&lt;br /&gt;Dirigindo-se aos mais desprotegidos, é nestes que as suas ideias encontram eco, para a formação de um sociedade mais justa. &lt;strong&gt;É o homem que fala para o homem&lt;/strong&gt;, a divinação veio mais tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110314525913350652?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110314525913350652/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110314525913350652' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110314525913350652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110314525913350652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/12/o-jesus-desconhecido.html' title='&lt;strong&gt;O Jesus &quot;desconhecido&quot;&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110253438828597248</id><published>2004-12-08T19:29:00.000Z</published><updated>2004-12-08T19:33:08.286Z</updated><title type='text'>Jesus "histórico"</title><content type='html'> &lt;img src="http://www.mormon.org/stg/multimedia/files/webBooks/images/1692_N51_st.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a existência de Jesus Cristo nunca foi posta em causa por nenhum estudioso, o mesmo já não se pode dizer da sua união da divindade e da humanidade numa mesma pessoa, conforme transparece de todo o conteúdo do Novo Testamento. O Jesus “histórico”, que nasceu, viveu e morreu crucificado na Palestina, e o Cristo que expressa a transcendência divina dessa mesma pessoa, que foi ressuscitada por Deus e elevada à dignidade de Senhor do mundo.&lt;br /&gt;A relação entre o Jesus “histórico” e o Cristo da fé constitui um dos maiores problemas que se propõem à teologia.&lt;br /&gt;É muito difícil escrever uma biografia do Jesus “histórico”. Não se conhece qualquer fonte historiográfica neutra sobre Jesus nazareno. Os historiadores romanos Tácito e Surtório, bem como o historiador judeu Flávio Josefo, nada dizem sobre a sua pessoa.&lt;br /&gt;Assim a única fonte para estabelecer uma vida de Cristo é o Novo Testamento, os Quatro Evangelhos, os Actos dos Apóstolos e as Cartas de Paulo. O testemunho de fé da Igreja primitiva, contido nos livros, é a única fonte existente, mas a figura ali descrita não é o Jesus “histórico”, como ele era em si mesmo, mas aquilo que Jesus significava para os que acreditavam na sua ressurreição, contudo, as discrições de homens, costumes e lugares comprovam as informações do Novo Testamento. &lt;br /&gt;Deste modo, o Novo Testamento não é uma fonte histórica, mas a reunião de factos vividos por Jesus e a confissão de fé no Cristo. Não se conhece uma única frase de Jesus nem uma simples narração sobre ele que não contenham, ao mesmo tempo, a profissão de fé da comunidade crente.&lt;br /&gt;O Novo Testamento foi em grande parte criado pelas primitivas comunidades cristãs, que nele colocaram as suas próprias concepções e a idealização de seus interesses, projectando-os no passado, na vida de seu fundador. Na base da fé destas primeiras comunidades estava a esperança  na ressurreição de Cristo e o seu consequente retorno, apregoado por Paulo. Esta força motora da nova religião, levou sem dúvida à criação do Cristo mítico, não o que ele foi mas quilo que se queria que tivesse sido.&lt;br /&gt;Esta esperança, forma a tradição cristã original  de que Jesus Cristo teria sido o Salvador, o Filho de Deus feito homem com a missão de sofrer e morrer como os homens e resgatar com o seu sacrifício os pecados da humanidade. Humanizava a sua divindade, espiritualizando a humanidade.&lt;br /&gt;A crença é baseada em factos, como a sepultura, túmulo vazio e as aparições após a ressurreição. Não são apresentados argumentos, mas testemunhas, que são apenas os seus seguidores. É um problema de aceitação pessoal, um problema de fé. &lt;br /&gt;Nem sempre as narrações do Novo Testamento são coincidentes: Os escritos fragmentados e que são acrescentados de sucessivas adições, leva própria Igreja sentir dificuldades em encontrar os verdadeiros autores dos Evangelhos, daí a fórmula por ela adoptada: Evangelho segundo…&lt;br /&gt;Mesmo recusando-lhe a divindade, Jesus foi o  mais extraordinário vulto de todos os tempos. O primeiro filósofo a por em prática o mais elevado conceito de Ética.&lt;br /&gt;A sua figura, feita de terrível autoridade e grande doçura, a figura do irado profeta que expulsou os vendilhões do Templo e do doce pregador do Sermão da Montanha, tornou-se famosa pelo estilo oratório simples e incisivo, pela suave força da sua doutrina quanto às relações com Deus e os semelhantes, pela fraternidade universal, pelas reacções contra o sectarismo e o ritualismo dos fariseus e sacerdotes, e, finalmente, pela exaltação dos humildes, dos bons e dos pobres.&lt;br /&gt;Sendo judeu, a sua mensagem, contudo, não era a mesma dos antigos profetas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que tornou único o ensinamento de Jesus foi a importância suprema que  Ele deu ao amor. Nunca antes o amor fora feito base de um sistema de ética, aspecto essencial da boa vontade de Deus para com os homens, e de o homem para com o homem, nem o seu sentido se mostrara tão amplo.&lt;br /&gt;Pois o amor, como Jesus o entedia, fraternidade e bondade, não era um dever medido, mas uma doação alegre e total de cada acto. O verdadeiro amor não tem espaço justificado para o egoísmo e não conhece reservas, nem mesmo diante do inimigo. A afirmação do amor sem limites entre homens, “ama o próximo como a ti próprio”, desperta a consciência do valor absoluto da pessoa humana e serve para a crítica e a contestação de situações sociais injustas e para a construção de um mundo verdadeiramente fraterno. &lt;br /&gt;Toda a sua doutrina pode ser resumida em: não faças aos outros o que não queres que te façam, e faz aos outros o que queres que te façam.&lt;br /&gt;As ideias de Jesus Cristo, que o Império Romano do seu tempo mal escutou e que, nenhum historiador romano anotou, continuam vivas ainda no mundo actual.&lt;br /&gt;Sendo o amor o primeiro e o maior dos Mandamentos, a moralidade era bem mais importante de que os ritos de culto. Uma exibição exterior de religião sem o íntimo de devoção ao princípio de caridade não passava de hipocrisia, e esta era um dos piores pecados.&lt;br /&gt;Com isto quis dizer que a religião não é necessária para se praticar o bem. O que impera é a vontade inata de o fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110253438828597248?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110253438828597248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110253438828597248' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110253438828597248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110253438828597248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/12/jesus-histrico.html' title='&lt;strong&gt;Jesus &quot;histórico&quot;&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110217389464625397</id><published>2004-12-04T15:16:00.000Z</published><updated>2004-12-04T15:24:54.646Z</updated><title type='text'>Viagem à Índia (terceira parte)</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.jsr.communitech.net/tajmahal.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colonialismo por vezes tem coisas verdadeiramente interessantes. O colonizado admirar colonizador e procurar imitá-lo. Isto passa-se na Índia com a herança colonial inglesa. Os vestígios da presença dos Ingleses na Índia vêm-se a cada esquina, para além da condução à esquerda ou das sumptuosas casas coloniais. A imitação dos Ingleses é uma constante por parte dos Indianos e ainda mais o respeito com que  falam deles. São verdadeiros ídolos.&lt;br /&gt;Por curiosidade fomos visitar o principal hotel de Nova Deli. Nunca tinha visto nada assim na minha vida. Estávamos a ver a época vitoriana em todo o seu esplendor combinada com o mais rico sultanato da Índia. Se eu ficara impressionado com os porteiros do meu hotel, quando da minha chegada, aqui nem queria acreditar no que os meus olhos viam. Parece que a Índia e Inglaterra se digladiaram procurando cada uma delas suplantar a outra em grandiosidade, para formar um conjunto arquitectónico único. Só para dar uma ideia, uma das salas de jantar era a reprodução fiel da selva indiana, com plantas naturais, odores e sons. Pelo meio do arvoredo espraiava-se o mobiliário inglês de estilo vitoriano. As mesas, com loiças e vidros também ingleses, estavam ornamentadas com toque oriental idílico.  Qualquer coisa das Mil e Uma Noites, indescritível e  inacreditável. &lt;br /&gt;Passou-se comigo um episódio tão simpático, e demonstrador da cordialidade do povo indiano, que não podia deixar contar. &lt;br /&gt;As lojas na Índia não têm nada haver com as nossas lojas ocidentais. São normalmente pequenos ou maiores bazares onde se vende uma miscelânea de artigos. Estando num deles, onde o meu companheiro comprava já não me lembro o quê, enquanto ele procurava o que pretendia eu dava uma vista de olhos pela loja quando me deparei com uma mesa grande cheia de livros.&lt;br /&gt;Ao inspeccionar os livros verifiquei de que tratava de exemplares de dois livros, um com passagens do Bhagavad Gîtâ e outro com versos védicos, ambos ilustrados com fotografias fantásticas de Ashok Dilwali, um dos melhores fotógrafos da Índia.&lt;br /&gt;Como já tinha o Bhagavad Gîtâ e não tinha nenhuma literatura védica, procurei comprar o livro dos versos védicos. Ao perguntar o preço informaram-me que os livros não eram para vender, estavam ali somente para serem embrulhados e destinados a ofertas . O dono dos livros não eram eles. Para esclarecer informo que na Índia comemoravam o Stivali, não tenho a certeza se está bem escrito, que é como o Natal no Ocidente, época de ofertar presentes, o porquê dos livros em questão.&lt;br /&gt;Pedi que entrassem em contacto com o dono dos livros, solicitando que me vendesse o livro que pretendia. Concordaram, pediram o número do telefone do meu hotel, depois me informariam se seria possível ou não a compra.&lt;br /&gt;Quando à noite regressei ao hotel e fui à recepção pedir a chave do quarto, o recepcionista tirou um embrulho debaixo do balcão e entregou-mo, dizendo o que o tinham deixado para mim.&lt;br /&gt;Abri o embrulho e qual não é o meu espanto quando vejo o livro com um cartão do próprio Ashok Dilwali dizendo que era com todo o prazer que me ofertavam o livro. Só na Índia.&lt;br /&gt;Os meus afazeres profissionais levaram-se a sair do centro da cidade e ir mais para a periferia. A Índia das imagens conhecidas estava ali. Ruas estreitas de terra batida, muito sujas, casas de dois ou três andares de construção rudimentar e em muito mal estado, valas junto às casas onde corriam os dejectos caseiros, gentes curiosas de ar pobre que nos espreitavam das janelas ou sentadas nas soleiras das portas, muitas vacas pachorrentas passeavam no meio da rua e até um elefante desdentado, com ar muito velho com o seu cornaca, desfilou diante de nós. Aqui os odores já não tão simpáticos, pois eram uma espécie de mistura de incenso com estrume de vaca que até dava náuseas. Contudo, o mesmo ar misterioso da Índia continuava a pairar.&lt;br /&gt;Não sei explicar ao certo a sensação, estava fascinado com exotismo esotérico que sentia mas não compreendia. Na Índia tudo é esmagador mesmo a miséria.&lt;br /&gt;Claro como não podia deixar de ser, a Índia é uma terra de grandes contrastes. No meio desta amalgama de casa pobres estava instalada uma moderna unidade fabril, linhas modernas e ocidentais, cercada por um belo jardim,  com três ou quatro carros parados à porta dos quais se destacava um jaguar de modelo recente, uma espécie de oásis naquele mar de miséria. Depois de entrar percebi o motivo da localização. Todo o trabalho manual era feito pelas gentes das casa ao redor. Aqui como noutros lados fomos recebidos com toda a cortesia indiana a qual tentavam emprestar a eficiência britânica.&lt;br /&gt;Uma visita de trabalho não é a mesma coisa que uma visita turística, e se bem que diligenciasse ao máximo ver tudo o que me fosse possível, muita coisa ficou por ver em Nova Deli, contudo, uma visita era indispensável, uma ida ao Taj Mahal.&lt;br /&gt;Assim aconteceu no último sábado da minha estadia, já com os negócios todos tratados,&lt;br /&gt;saímos do hotel cerca das seis horas da manhã, no carro alugado, para percorrer cerca de 300 quilómetros até Agra, onde fica o Taj Mahal. A viagem foi espectacular. Todo o percurso é acompanhado de casario pobre, entremeado de monumentos religiosos imponentes, montanhas de macacos, búfalos, camelos, elefantes. Os triciclos como os existentes em Nova Deli, são o único meio de transporte colectivo, mudam de aspecto conforme as terras. Numas tinham um formato noutras outro, variavam também as cores, sendo todos iguais na mesma terra.&lt;br /&gt;Nas planícies que ladeavam a estrada a agricultura era mecanizada e intensiva, apresentando grandes áreas de cultivo. Por meio de um trânsito infernal de camionetas lá chegamos ao fim da manhã a Agra.&lt;br /&gt;O Taj Mahal é um sepulcro  que foi construído dentro de um palácio. As fotografias, os vídeos ou os filmes, não conseguem mostrar a beleza impressionante deste monumento. A finíssima arquitectura com o requinte que só a cultura islâmica sabe dar, a cor branca  muito alva do seu mármore, vai mudando de cor conforme o dia decorre até ficar alaranjada no por do Sol. Os azulejos feitos à mão provenientes de toda a parte do mundo, os baixos relevos, os rendilhados, a sua abóbada cravejada de diamantes, que os ingleses saquearam,  fazem deste monumento a mais bela dávida de amor.&lt;br /&gt;Outra lição que os Indianos nos dão é o  carinho pelos seus monumentos. No dia em que efectuei a visita estavam-no a fazer também milhares de Indianos, deslumbrados por aquela beleza alva que se destacava contra ao céu azul. Segundo me disseram a romaria era igual todos os dias.&lt;br /&gt;No regresso ainda fui visitar o Forte Vermelho, também Agra. Fortaleza impressionante pelas suas dimensões. Muralhas com dez metros de largura, estendem-se por um perímetro de 2, 3 quilómetros, lembrando o esplendor do período mongol . Dentro das muralhas encontramos diversos palácios, qual o mais impressionante, mandados construir, sucessivamente, pelos seus ocupantes. Foi a morada de inúmeros  marajás e do último governador inglês da Índia.&lt;br /&gt;No dia seguinte, Domingo, regressei a Portugal. Durante o caminho para o aeroporto o motorista chamou-nos à atenção para a estátua de Ghandi. A estátua mais impressionante que vi até hoje. Tem alma.&lt;br /&gt;Esta visita não sendo a ideal, serviu para me abrir ainda mais o desejo de lá voltar o mais breve possível. &lt;br /&gt;A Índia não é uma terra de meios termos. Ou se  ama ou se  odeia. Eu fiquei apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110217389464625397?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110217389464625397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110217389464625397' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110217389464625397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110217389464625397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/12/viagem-ndia-terceira-parte.html' title='&lt;strong&gt;Viagem à Índia (terceira parte)&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110176289613241064</id><published>2004-11-29T21:12:00.000Z</published><updated>2004-11-29T21:53:56.176Z</updated><title type='text'>Viagem à Índia  (segunda parte)</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.graffitipress.it/Reportage/Mostra%20India/india%203%20Di%20Cesare.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas andam nas ruas com ligeireza, com ar bem disposto e sorridentes. Os homens usam normalmente uma calça e camisa com a fralda por fora, ou calça com uma túnica comprida a três quartos, muitos turbantes, bigodes e barbas. As mulheres usam o sari com cores muito variadas o que empresta um colorido especial às ruas. &lt;br /&gt;Nota-se perfeitamente que estamos num país em que as pessoas têm fracos recursos. Mas se isso não invalida que levem uma vida equilibrada,  dentro dos seus padrões de rendimentos, claro, muito longe dos padrões da sociedade consumista ocidental, mas também não invalida a existência de uma camada da população que vive na maior das misérias. Isso é verificado pelos inúmeros pedintes, crianças são muitas e adultos, e até fiquei na dúvida se não alguns leprosos. Esta pobreza nos primeiros momentos é um choque pelo aspecto dos pedintes, andrajosos ou quase nus, muito sujos e com o  ar de quem passa fome.&lt;br /&gt;Uma coisa aprendi na Índia, a pobreza deles é encarada de maneira diferente da nossa. A pobreza, total falta de bens materiais, faz parte de um ciclo de vida, por isso aceite como um fatalismo. Sendo um país dos mais pobres, não é impunemente que o comunismo nunca lá entrou. &lt;br /&gt;Também podemos ver muitos personagens vestidos ou quase nus, pintados das maneiras mais diversas, normalmente ornamentados com objectos, que lembram o faquir do nosso imaginário. &lt;br /&gt;Muitos adivinhos. É relativamente fácil encontrá-los, muito bem vestidos a rigor indiano, com belos turbantes. Com um ar muito solene e persuasivo, oferecem os seus préstimos num belíssimo inglês, o que  torna convite irresistível. A experiência foi fascinante e sobretudo intrigante. Após, não sei explicar como, contarem-nos o nosso passado mais íntimo, técnica para angariar credibilidade, começam a vaticinar o futuro, usando para tal um sistema do qual nunca tinha ouvido falar. Por exemplo: para responder à pergunta se vou casar, ele  abre a  mão do meu companheiro para verificarmos que nada contêm, depois pede que a feche. Em seguida, já com  a  mão fechada, ele mostra uma pequena flor, e diz: se isso vier a acontecer esta flor estará dentro da sua mão, após o que  deita a flor ao vento com uma sopradela. Passados uns segundo pede para abrir a mão, o meu companheiro que era solteiro, tinha a flor dentro da mão. Tudo isto se passa sobre o meu olhar super atento, mas fiquei sem explicação. Usando sempre o mesmo sistema, as respostas foram-se sucedendo às perguntas, ficando a mão vazia quando a resposta era negativa.&lt;br /&gt; Por cada pergunta pagava-se o que se queria, mas se fosse pouco refilava logo. Um incauto nas mãos destes adivinhos deixa lá a camisa podem crer.&lt;br /&gt;Há diversos mercados de rua, que se encontram com facilidade. Uns serão mais generalistas na oferta, roupa, bijutaria de fazer andar à roda a cabeça das mulheres ocidentais, artigos de decoração, jóias etc. Outros há que são especializados num determinado produto.  &lt;br /&gt;Visitei um destes que só vendia tapetes, cobertas e almofadas de uma riqueza de trabalho manual e cores ímpares. A rua  era pequena e as vendedoras estavam todas alinhadas com os seus artigos, num só  lado da rua. Com a nossa chegada, ocidentais com dinheiro na algibeira e apetência para comprar, o mercado agitou-se com uma algazarra infernal de gritos de oferta e aceno de mercadorias. Não sabíamos para onde nos voltarmos, queríamos ver tudo primeiro, mas as vendedoras penduravam-se em nós não nos deixando quase andar. Quando por fim parámos junto de uma delas e começamos a perguntar os preços, todo o barulho parou. As restantes vendedoras suspenderam a ruidosa oferta, para não perturbar o negócio, aguardando o seu desfecho. Fiquei impressionado pela lição de respeito pelo semelhante. Concretizada a compra, no meu caso umas lindíssimas almofadas, a algazarra da oferta voltou de novo a se ouvir, talvez com mais intensidade ainda, pois já tínhamos provado que estávamos ali não só ver mas para comprar também.&lt;br /&gt;Na Índia também faz parte da cultura regatear o preço. Mas velhota a quem comprei as almofadas estava de cócoras, descalça, com o rosto muito enrugado pelos anos ao Sol, já sem parte dos dentes, cabelo muito grisalho e desalinhado, com um sari escuro, muito velho e roto e com uma cara e modos tão simpáticos, que furei o protocolo, não regateei e paguei logo à primeira o que ela me pediu. No nosso dinheiro o preço era irrisório, ir regatear para quê? &lt;br /&gt;Outro mercado que também me impressionou muito, era uma espécie de centro comercial subterrâneo. Aqui a venda era feita em pequenas lojas só com uma porta sem montras, todas juntas umas às outras de ambos os lados dos estreitos corredores, com os seus artigos expostos no exterior, o que tornava difícil transitar entre elas. O aspecto do conjunto era fascinantemente exótico e embriagante os cheiros muito activos, por ser um recinto fechado, que pairavam no ar. Dentro das lojas, com excepção das de jóias, não havia balcão, todo o negócio era feito sentado no chão sobre um tapete. Para compráramos uma coisa eles insistiam em mostra cinquenta, mas de uma maneira muito personalizada e descritiva. Para muitos talvez fosse uma grande chatice, mas para mim foi delirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110176289613241064?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110176289613241064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110176289613241064' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110176289613241064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110176289613241064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/11/viagem-ndia-segunda-parte.html' title='&lt;strong&gt;Viagem à Índia  &lt;/strong&gt;(segunda parte)'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110141105330539176</id><published>2004-11-25T19:28:00.000Z</published><updated>2004-11-25T21:21:23.046Z</updated><title type='text'>Viagem à Índia (primeira parte)</title><content type='html'> &lt;img src="http://archaeology.ncl.ac.uk/postgraduate/studentpages/MMarken/Taj_Mahal/pics/indiamart/taj-mahal-clouds2.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Índia está a comemorar este ano o tricentésimo quinquagésimo aniversário do seu mais emblemático monumento, e um dos mais belos do Mundo: o Taj-Mahal. O monumento mandado erigir por um marajá de credo islâmico,  situado nos arredores da cidade de Agra, é um tributo de amor à sua amada esposa falecida.&lt;br /&gt;Aproveitando a oportunidade da efeméride vou falar um pouco da visita que efectuei à Índia em Outubro de 2000.&lt;br /&gt;Desde muito cedo que a Índia exerceu um grande fascínio sobre mim. A filosofia, a religião, os homens santos, as construções religiosas, as gentes e o seu modo de encara a vida, as cores, os perfumes, as vestes, os turbantes siks, as barbas, tudo me fazia imaginar um mundo à parte, incompreensível e esotérico.&lt;br /&gt;Na escola primária, quando o professor dava a História de Portugal e falava da chegada de Vasco da Gama à Índia, o nome Calecut tinha para mim uma sonoridade mágica, fascinava o meu imaginário de criança.&lt;br /&gt;Sempre fui muito interessado pela cultura e história da Índia e, quanto mais procurava enriquecer os meus conhecimentos, maior era o desejo de visitá-la.&lt;br /&gt;A oportunidade surgiu quando por razões profissionais tive de me deslocar a Nova Deli.&lt;br /&gt;A viagem de avião de Paris para Nova Deli demorou cerca de 15 horas, o que é tempo demais para estar dentro de um avião. Não foi um tormento total, porque no avião criaram um espaço furtivo para os fumadores poderem satisfazer o vício. Ia ser muito desesperante estar 15 horas sem fumar.&lt;br /&gt;No avião já se sentia um cheirinho a Índia, pois muitos dos passageiros eram indianos e uma parte deles, embora vestidos ocidentalmente usavam o turbante e as mulheres mais conservadores, o sari e a pinta vermelha na testa.&lt;br /&gt;À medida que as horas passavam e nos aproximávamos da Índia, o meu espírito começou a ser assaltado por uma ansiedade. Será que a Índia é mesmo como eu imaginava, ou iria ser uma decepção. &lt;br /&gt;Por fim cerca das 2 horas da manhã aterramos em Nova Deli. Após as formalidades de entrada, dirigimo-nos para a saída, onde uma multidão esperava os passageiros. A primeira impressão ao olhar para todas aquelas pessoas, foi neutra, ou porque estava cansado ou porque estava à espera não sei bem do quê. Apanhámos um táxi para o hotel O carro muito velho,  não devia estar  em muito bom estado, pois pareceu-me  ter problemas com a direcção.&lt;br /&gt;Durante o percurso, como noite estava muito escura e as luzes nas ruas eram mortiças, não conseguia ver muito bem o trajecto nem as casas que o circundavam. Não tinha a noção de estar num lugar exótico, bem mais me pareciam as ruas de uma vila qualquer.&lt;br /&gt;Mas eis que entra numa avenida, larga com óptima iluminação, e logo vejo uma belíssima mesquita toda iluminada pela luz de projectores. Ainda não refeito da surpresa já o táxi parava em frente ao meu hotel que ficava logo a seguir.&lt;br /&gt;No hotel fiquei de boca aberta, quando um dos porteiros com um aprumo militar impecável, vestido a rigor à indiana com turbante e barba, me abriu a porta do táxi e me cumprimentou  num  fleumático inglês; good mornig sir, welcome to the Índia.&lt;br /&gt;Parecia um saloio a olhar para o homem, e até devo confessar,  com um pouco falta de à vontade. As nossa raízes colonialistas, nunca foram premiadas com esta educação britânica. Fomos mais práticos, para nós um lacónico  boa noite era o suficiente.&lt;br /&gt;O sono era tanto que além dos porteiros não reparei em mais nada do hotel, só queria  dormir.&lt;br /&gt;No dia seguinte acordei cedo e procurando dominar a excitação desci do quarto para ir tomar o pequeno almoço, mas não sem antes  ir primeiro até à porta para rever os porteiros. Até parece infantil mas tinha de confirmar a visão da madrugada. Com o mesmo aprumo militar, com uma farda que faziam lembrar os sipaios do filme Os Lanceiros da Índia,  sorridentes, mal me viram voltaram a cumprimentar, good morgning sir. May I help you? Não obrigado só vim cá fora  para te ver, pensei eu para comigo.&lt;br /&gt;Satisfeita a curiosidade, voltei a entrar e procurei o meu companheiro de viagem com quem me tinha deslocado  à Índia e, por entre good mornings sir à esquerda e à direita lá fomos comer. Um pequeno almoço divinal. Café com leite e um buffet de bolos à descrição, que após o primeiro olhar desconfiado verificamos serem uma maravilha.&lt;br /&gt;Depois saímos, à nossa espera estava um carro com motorista que tínhamos contratado para a nossa estadia. Um velho táxi inglês. É completamente impossível deslocarmo-nos para onde quer que seja sem carro com motorista.&lt;br /&gt;Dentro do carro que nos iria levar ao centro da cidade, onde teria lugar a nossa primeira reunião de negócios, vivemos a primeira experiência na Índia. O trânsito.&lt;br /&gt;O trânsito além de uma intensidade inimaginável é completamente caótico. As avenidas estão repletas de carros, camionetas, bicicletas, triciclos e tudo anda numa velocidade diabólica, passam pela direita, pela esquerda, param, atravessam-se à frente uns dos outros, tudo isto ao som de um  barulho infernal de businadelas. Mas insultos ou maus modos, nada. Todos sorriem. Para nós que julgamos ter muito trânsito, podem crer que viajar nas  artérias de Nova Deli é uma autêntica aventura.&lt;br /&gt;Por motivos financeiros e dificuldades de importação, os carros são muito velhos, já reconstruídos e reparados vezes sem conta, mas andam que é o fundamental para eles. Alguns são velhas relíquias coloniais herdadas dos ingleses. As camionetas não fogem à regra, velhinhas, velhinhas, todas muito decoradas com pinturas que lhe cobrem toda a carroçaria.&lt;br /&gt;A lotação dos carros não tem limite, enquanto couberem é entrar, entrar, quantos mais levar mais barato fica a viagem. As camionetas também não têm limite de carga quer em peso quer em volume.&lt;br /&gt;Os triciclos na sua maior parte são táxis, e o que era previsto levar dois passageiros, leva quatro e cinco  não contando com as crianças de colo.&lt;br /&gt;As bicicletas, essas são os irreverentes do trânsito, viram à esquerda viram à direita, não olham, não fazem qualquer sinal, quem  se sentir perturbado neste caos harmonioso que pare.&lt;br /&gt;Está muito calor, perto de 40 graus, no ar existe uma névoa de poluição poeirenta que ajuda a filtrar os raios solares e ao mesmo tempo dá uma cor de ocre ao envolvimento atmosférico, que fica com um ar etéreo. Os cheiros exóticos imperam por toda a parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110141105330539176?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110141105330539176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110141105330539176' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110141105330539176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110141105330539176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/11/viagem-ndia-primeira-parte.html' title='&lt;strong&gt;Viagem à Índia &lt;/strong&gt;(primeira parte)'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110103129280086421</id><published>2004-11-21T09:59:00.000Z</published><updated>2004-11-21T14:22:03.976Z</updated><title type='text'>Lembranças VI</title><content type='html'>Como não há bem que sempre dure e mal que não acabe, a recruta acabou por chegar ao fim. Após o juramento de bandeira, dia em que foi servido rancho melhorado, foi indicado aos recrutas os futuros destinos onde iriam tirar as respectivas especialidades do curso de cabos milicianos. Para quem não sabe, um cabo miliciano era uma espécie de sargento barato. Enquanto permanecesse na metrópole tinha o posto de cabo, e recebiam uma miséria de pré, mas fazia o serviço de sargento. Só quando embarcavam para o Ultramar é que lhe davam as divisas de furriel, primeiro grau na hierarquia dos sargentos, e lhe pagavam em conformidade. &lt;br /&gt;A distribuição decorreu no meio de uma justificada ansiedade, pois a especialidade de atirador, era a menos desejada, por ser a de maior risco. Estava a ouvir a distribuição quando para a especialidade de enfermagem ouvi chamar pelo meu nome, desculpem,  pelo meu número, pois na tropa somos todos anónimos. Nem queria acreditar, estava safo de ir para atirador.&lt;br /&gt;Contudo, passado o primeiro momento de euforia, a ideia de ir para enfermagem começou a causar-me um mal-estar. Com tantas especialidades, logo me havia de calhar esta. Não vou ter estômago para aguentar. Não suporto o cheiro a éter quanto mais ver feridas e dar injecções. &lt;br /&gt;Mas como as ordens na tropa não dão direito a reclamações, não houve outro remédio senão ir tirar o curso de enfermagem, e com esse fim deram-me a guia de marcha, para me apresentar no Hospital Militar Principal, situado em Lisboa no Largo da Estrela. Por ironia do destino, o hospital fica mesmo ao pé da casa onde  nasci.&lt;br /&gt;Na altura não fazia ideia de como iriam ser os meus próximos três anos de tropa e como ,de certa maneira, marcariam a minha vida.&lt;br /&gt; Muito se tem escrito acerca da guerra do Ultramar, nesta ou naquela província, neste ou naquele local, mas o que eu vou relatar talvez seja a visão mais global e aterradora de toda a guerra. Num só sítio, vivi em indirecto a guerra em todas as frentes com todos os seus maiores dramas. Talvez seja esta a guerra que falta ser escrita, assim eu tenha habilidade para prestar com esta narração, a minha homenagem a todos aqueles que no cumprimento do dever morreram ou ficaram estropiados, e que hoje em dia são esquecidos ou  pior ainda, renegados. Bem hajam todos os que não renegaram a Pátria quando os chamou, independentemente de acreditarem ou não nos motivos do chamamento. A Pátria não se discute, é o bem maior de qualquer povo.&lt;br /&gt;Após as despedidas, por entre umas cervejas na messe, e ter entregue ao amanuense o equipamento que tinha recebido à chegada, excepto o fardamento, mas sem o odiado fato macaco, voltei as costas a Mafra sem saudades, e lá fui a caminho do hospital. (continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110103129280086421?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110103129280086421/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110103129280086421' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110103129280086421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110103129280086421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/11/lembranas-vi.html' title='&lt;strong&gt;Lembranças VI&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110095667223858951</id><published>2004-11-20T13:16:00.000Z</published><updated>2004-11-20T13:17:52.236Z</updated><title type='text'>Pergunta virtual?</title><content type='html'>Que espécie de país é este em que vivemos, quando o governo acompanhado por parte da oposição, o que é mais grave ainda, vem questionar a população sobre um assunto de primeira importância para ela, com uma pergunta que ninguém entende, e em que pelo menos 90% da população, não faz a menor ideia de que assunto se trata?&lt;br /&gt;Será que se pode chamar a isto uma pergunta virtual, para uma resposta virtual, sobre um assunto que possivelmente lhes interesse que seja virtual?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110095667223858951?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110095667223858951/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110095667223858951' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110095667223858951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110095667223858951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/11/pergunta-virtual.html' title='&lt;strong&gt;Pergunta virtual?&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110063802484275578</id><published>2004-11-16T20:45:00.000Z</published><updated>2004-11-16T20:47:04.843Z</updated><title type='text'>Confronto</title><content type='html'>Confrontado diariamente com notícias ligadas ao mundo islâmico, melhores ou piores, conforme a óptica ocidental, achei oportuno  dizer alguma coisa sobre o Islamismo.&lt;br /&gt;Para nós cristãos, e no caso particular dos católicos,  a maior parte não praticante, em que o único vínculo à religião é a tradição, não conseguimos compreender o que é uma  profunda fé em Deus, nem tão pouco a observância rigorosa dos preceitos religiosos.&lt;br /&gt;O Islão vive da convicção religiosa dos seus adeptos, orientados por líderes religiosos, que fazem parte do próprio povo, por isso mesmo respeitados e obedecidos, enquanto o Cristianismo criou a Igreja, um Estado temporal, individualizado da sociedade, muitas vezes mais político do que espiritual.&lt;br /&gt;O acto religioso dos islamitas é voluntariosamente observado, tornando-se parte integrante da sua vida, e não circunstanciado como acontece na maior parte do Cristianismo católico.&lt;br /&gt;Os valores religiosos, em ambas as religiões impostos pela força, no Islão sempre foram acompanhados de alguma benevolência religiosa, contrastando com a total intolerância  característica do Cristianismo.&lt;br /&gt;O Cristianismo ao impor a sua intolerância ao Islão, o caso contrário não aconteceu tão veementemente, provocou, desde o princípio, um confronto civilizacional. &lt;br /&gt;Hoje o confronto mantêm-se, dando a intolerância religiosa do Ocidente lugar aos interesses, o que nos leva a assistira agora, não a um confronto civilizacional, mas sim a um confronto entre interesses e princípios.&lt;br /&gt;Para o mundo ocidental materialista é completamente imperceptível o mundo espiritual oriental, daí ficarmos chocados com os meios utilizados na luta pelo Islão.&lt;br /&gt;Rezar a Alá e morrer pelo seu ideal religioso é coisa tão difícil de compreender como o haraquiri japonês. Não é que a vida para eles tenha menos importância do que para nós, só que a sua espiritualidade, chamada por nós de fanatismo, é mais forte do que a nossa, levando a que eles releguem a vida para segundo plano em relação à fé.&lt;br /&gt;Esta é que é a grande diferença entre o mundo do Cristianismo e o mundo Islamismo, apesar de na sua primeira essência serem muito semelhantes. Tentarmos imiscuirmo-nos nas suas tradições impondo a nossa cultura é tão difícil como “um camelo passar pelo buraco da agulha”.   &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110063802484275578?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110063802484275578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110063802484275578' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110063802484275578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110063802484275578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/11/confronto.html' title='&lt;strong&gt;Confronto&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-110012357671750189</id><published>2004-11-10T21:50:00.000Z</published><updated>2004-11-10T22:00:40.290Z</updated><title type='text'>Discordando de Cícero</title><content type='html'>Marco Túlio Cícero é considerado o maior prosador da língua latina , e um dos mais importantes filósofos da Roma da Antiguidade. Vítima da intriga política, proscrito por Marco António, acaba por ser  assassinado, em 43 a.C., quando tentava fugir para a Macedónia. &lt;br /&gt;Cícero passou os últimos anos da sua vida a escrever; atingindo o ponto máximo da sua obra filosófica nas duas obras: Sobre os Deveres e Sobre a Velhice.&lt;br /&gt;Em Sobre a Velhice, Cícero faz a apologia da velhice, descrevendo uma conversa (reportada a 150 a.C.) entre o velho Marco Pórcio Catão e dois jovens amigos, um dos quais se tornaria mais tarde o célebre Cipião-o-Africano, o Moço.&lt;br /&gt;Catão, com 84 anos, é apresentado como um velhote feliz a quem os anos não puderam curvar. Para ele a velhice não é um período de inutilidade, uma idade vazia e sem alegria, mas o tempo da maturidade, da meditação serena, uma preparação para o eterno repouso, que ele encara sem angústia.&lt;br /&gt;Este perfil de Catão mostra-nos a velhice, segundo Cícero, como a época da vida em que o homem atinge na Terra o seu mais alto desenvolvimento.&lt;br /&gt;Catão na sua conversa passa em revista as censuras feitas à velhice.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, pretende-se que ela torna as pessoas inaptas para o trabalho. Quem tal afirma é tão estúpido como aqueles que dizem que um timoneiro a bordo de um navio é inútil porque não sobe ao mastro. É verdade que as forças físicas decrescem com o Outono da vida, mas será motivo para nos lamentar-mos? «quanto à falta de vigor físico juvenil, não o invejo agora, como não invejava, quando adolescente, a força de um touro ou de um elefante. Importa fazer uso do que se tem e agir em qualquer caso de acordo com as suas forças».&lt;br /&gt;Segue-se a censura que se faz à velhice ao pretender-se que é desprovida de prazeres. «Belo presente da idade se realmente nos tira o que a juventude tem de mais censurável! E como a natureza ou qualquer divindade não deu ao homem nada de mais belo do que o pensamento, esta divina dádiva não tem pior inimigo do que a voluptuosidade. Na realidade, quando domina a voluptuosidade, não há lugar para a temperança e de uma maneira geral não há lugar para a virtude».&lt;br /&gt;Não devemos, pois, queixar da velhice, mas estar-lhe reconhecidos por conservar a nossa alma pura de toda a mancha. A maior felicidade da alma é conhecer, enfim, a calma e levar uma vida voltada para o interior, depois de durante anos ter servido o amor, a ambição, a sede de dominar, o ódio e todas as outras paixões!&lt;br /&gt;Há ainda uma última acusação: um velho deve aguardar a chegada da morte a todo o instante. Em primeiro lugar, o facto é válido para todas as idades. Além disso, é mais penoso morrer na Primavera da vida do que no seu Outono. A morte é uma felicidade para quem acredita na imortalidade da alma.&lt;br /&gt;«Não me cabe a mim lamentar a vida, como o fizeram muitos homens, mesmo cultos (…) saio da vida como de uma pousada e não como da minha verdadeira casa (…). Oh que bom dia será esse em que me hei-de dirigir a essa assembleia divina constituída pela reunião das almas, quando deixar a multidão corrompida deste mundo!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discordando.&lt;br /&gt;A apologia da velhice de Cícero é compreensível, se tomarmos em conta que quando a escreveu já não estava na flor da idade. Contudo, se o residual da vida nos favorece a experiência e esta por sua vez beneficia a sabedoria, o contraste entre a deterioração física e a juventude das ideias, só pode ser traduzido em sofrimento.&lt;br /&gt;Oculto por detrás do espelho, o espírito permanece numa juventude enganadora que o corpo há muito perdeu. Desilusão dolorosa quando tenta que o corpo reaja  como nessa juventude.&lt;br /&gt;Perdido na ilusão do tempo, são as  lembranças do passado que não deixam admitir a realidade do presente, ser velho. Essas são, na maior parte das vezes, enaltecidas levando-o a fazer juízos de valor comparativos que não correspondem à realidade. &lt;br /&gt;Desvaloriza o que fez no passado por já não ser possível fazer no presente. As paixões são sublimadas.&lt;br /&gt;O ego super valorizado e a razão infalível, são as armas intelectuais da velhice para se opor à juventude. É o que lhe resta.&lt;br /&gt;No reflexo do espelho, o seu maior inimigo, toma consciência da realidade e na solidão já não consegue enganar-se a si próprio. Então chora. &lt;br /&gt;Sente a vida fugir-lhe lentamente por entre a vontade. A morte por vezes é pensada, mas sempre veemente rejeitada pela esperança íntima de viver.&lt;br /&gt;A condição fundamental para morrer é estar vivo, pensa o velho, tentativa egoísta para igualar a juventude. Mas sabe que ela lhe está mais próxima.&lt;br /&gt;O pior que lhe pode acontecer é a rejeição. Confirma a velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Não fosse a lembrança da mocidade, não se ressentiria a velhice. Toda doença consiste em não se saber fazer mais o que se soube fazer outrora. Pois o velho, em seu género, é decerto uma criatura tão perfeita como o moço na sua&lt;/em&gt;”. – Georg Lichtenberg (1742-1799), Aforismos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-110012357671750189?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/110012357671750189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=110012357671750189' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110012357671750189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/110012357671750189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/11/discordando-de-ccero.html' title='&lt;strong&gt;Discordando de Cícero&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-109972888072850215</id><published>2004-11-06T08:11:00.000Z</published><updated>2004-11-06T08:14:40.726Z</updated><title type='text'>Lembranças V</title><content type='html'>Malgrado o acidente do qual resultou o dedo partido, a recruta decorreu sem incidentes de maior. Pouco haveria mais com interesse para relatar, caso as necessidades operacionais do exército não tivessem levado à mobilização dos médicos até à idade de 45 anos.&lt;br /&gt;Os médicos, apesar de já exercerem a profissão há muito tempo e alguns até grandes especialistas, foram obrigados a fazer um pequeno período de recruta para adaptação à vida militar.&lt;br /&gt;A sua incorporação efectuou-se cerca de quinze dias depois da nossa. A parada do quartel, até aí tão militarmente aprumada, passou simultaneamente ao aprumo, e a mostrar a caricatura deste.&lt;br /&gt;Os novos recrutas, na maior parte casados, ao contrário do que sucedeu comigo, que fui levado ao quartel pelos meus pais, alguns deles foram levados pelos filhos. Muito eu gostaria de poder  assistir à despedida entre pais e filhos. Oh pai vê lá se portas bem, não deixes a malta ficar mal. Algumas das suas mulheres, possivelmente teriam recomendado: não te esqueças das ceroulas, olha que as noites são muito frias.&lt;br /&gt;A idade e a vida sedentária que levavam evidenciava-se na maior parte deles numa proeminente barriga muitas vezes acompanhada com uma calvície precoce. Altos e baixos, os fatos de macaco ou ficavam muito grandes ou muito curtos. Era a companhia mais desaprumada que o exército alguma vez tinha tido.&lt;br /&gt;Posicionados na parada no meio das companhias dos recrutas jovens, segundo a linguagem médica provocavam uma solução de continuidade do aprumo militar, mas era muito engraçado.&lt;br /&gt;O contraste era tão grande, que era inevitável a quebra da disciplina. Os que não tinham o humor necessário para a circunstância, cedo começaram a criar atritos com os oficiais. Recusavam-se a fazer marchas em paço de corrida, alegando que o oficial era demasiado jovem, portanto com uma pujança física que eles já não possuíam. Não tinham condições físicas para o acompanhar durante a marcha.&lt;br /&gt;O problema começava a agudizar-se, o que era muito mau para a disciplina militar, quando o próprio comandante da unidade, um coronel com cerca de  cinquenta e cinco anos de idade, se dirigiu à parada, parou em frente da companhia dos médicos e disse: meus senhores sou mais velho que os senhores, quem vai dar a instrução hoje sou eu. Quero todos a correr atrás de mim, quem não conseguir fazer o percurso que eu vou fazer não tem licença de fim de semana.&lt;br /&gt;Um silêncio de resignação abateu sobre os médicos. O coronel, homem de estatura média, físico normal para a idade, cabelo já bem grisalho iniciou a marcha com toda a formatura médica atrás dele. Ao passarem diante nós, os médicos sorridentes diziam a deus, piscavam o olho, outros faziam gestos menos decentes. Mas lá foram todos.&lt;br /&gt;Quando regressámos à tarde depois da instrução, encontramos um grande alvoroço no quartel, pois a companhia dos médicos, primeira a sair para a instrução ainda não tinha regressado e mais, constava que o percurso escolhido pelo coronel além de mais longo que o habitual também era mais acidentado.&lt;br /&gt;Lá vêm eles, alguém deu o aviso, todos corremos para ver a chegada escolhendo o ponto de mirone mais estratégico. Na frente vinha o coronel, vermelho que nem um tomate, ofegante, fazendo um esforço final para dar entrada no quartel com a dignidade que ainda lhe era possível. Seguiam-no cerca de uma dúzia de médicos, caprichosos em fazer boa figura, e se calhar em dar uma lição ao coronel, pois este ao escolher o caminho mais longo e acidentado de certo que não esperava que os recrutas diplomados o conseguissem fazer.&lt;br /&gt;A entrada de toda a companhia demorou cerca de trinta minutos entre o primeiro e último. Coitados, vinham de rastos, amparados uns aos outros, quase não conseguiam respirar. O suor encharcou o fato de macaco tal maneira, que era difícil encontra uma parte que estivesse seca. O terço final era o mais lastimoso, eram os mais gordos, pois a barriga também pesa e muito, traziam a arma não a tiracolo mas a arrastar no chão. Engraçado, tal como o coronel,  fizeram um esforço final para entrar no quartel em passo de corrida. Iam morrendo.&lt;br /&gt;Após terem todos entrado fizeram na parada a formação possível, dado o estado em que se encontravam. O coronel, então em frente deles, com a voz forte que lhe restava ordenou: atenção sentido. Depois num tom de voz mais suave e com alguma malícia disse: como viram meus senhores não foi difícil, obrigado. Voltou à voz forte e ordenou de novo: atenção dispersar. Quando voltou as costas e se dirigia para o edifício, deu-se o inimaginável: os médicos desataram a bater palmas de aplauso. Todo o quartel ficou suspenso com a ousadia. O coronel parou, olhou para trás, e com um gesto teatral feito com o braço agradeceu os aplauso depois do que foi-se embora. Curioso, não me lembro de o voltar a ver na parada se não no dia do juramento de bandeira.&lt;br /&gt;Duas semanas depois, com o posto de alferes, os médicos começaram a embarcar para o Ultramar onde muito trabalho esperava por eles. (continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-109972888072850215?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/109972888072850215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=109972888072850215' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109972888072850215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109972888072850215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/11/lembranas-v.html' title='&lt;strong&gt;Lembranças V&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-109899293469509924</id><published>2004-10-28T19:45:00.000Z</published><updated>2004-10-28T19:48:54.696Z</updated><title type='text'>Todos iguais... e tão diferentes...</title><content type='html'>No nosso dia a dia somos confrontados com comportamentos humanos, que não só nos indignam, como a sua própria existência nos deixa perplexos. &lt;br /&gt;Pela comunicação social tomamos frequentemente conhecimento de actos brutais, por vezes de uma crueldade indescritível, que coloca os humanos, pelo menos uma parte deles,  no patamar mais baixo entre os animais.&lt;br /&gt;O nosso quotidiano é espectador de todas as formas de egoísmo, em muitos dos casos de tal maneira gratuitas, que não podem passar de irracionais. Porquê alguns  humanos têm de estar sempre competindo entre si, por  situações justificáveis ou não, utilizando para tal o que os seus instintos têm de mais negativo “Eu quero, o resto que se lixe”.&lt;br /&gt;Também nestes humanos a solidariedade humana dá lugar à curiosidade mórbida de ver o sofrimento dos outros, como se isso apaziguasse qualquer apetite secreto, ou ainda o alheamento voluntário em relação ao seu semelhante que eventualmente possa estar numa situação desesperada. “Ele que se lixe, quero lá saber”.&lt;br /&gt;E quando estes humanos, fazem uso das tecnologias, usam-nas na mesma forma de como se comportam, isto é irracionalmente. Um dos resultados é a “incompreensível” sinistralidade automóvel que todos conhecemos.&lt;br /&gt;A comunicabilidade é quase inexistente, eles só vivem para o seu egoísmo. Fechados no seu mundo de cupidez, todos os outros são potenciais inimigos. Vivem anos lado a lado com os seus vizinhos e nunca lhes deram as boas tardes ou as boas noites, pois isso era no entender  deles, não uma mera rotina de boa educação, mas sim o permitir alguma cumplicidade que eles não querem.&lt;br /&gt;Reflectindo sobre a sociedade em que vivemos, onde  fisicamente todos somos iguais, e aparentamos um intelecto semelhante, pergunto; como é possível uns serem tão pouco evoluídos em relação aos outros?&lt;br /&gt;Será que contrariamente ao que os paleontólogos afirmam, o Homem de Neandertal, mais atrasado evolutivamente que o Homo sapiens sapiens, não se extinguiu e perpetuou-se conjuntamente com este, vivendo em conjunto com as suas diferenças evolutivas? &lt;br /&gt;Com a veracidade ou não desta hipótese, procurei sucintamente, tentar compreender o mecanismo evolutivo causador destas disparidades de comportamento, que passo a expor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O instinto é o comportamento espontâneo, inato, inconsciente, irracional, próprio do homem e dos animais, que actua independentemente de aprendizado.&lt;br /&gt;É uma espécie de inteligência rudimentar, sem raciocínio,  que dirige os seres vivos nas suas acções, à revelia da sua vontade, e que reage com actos tendentes a conservar a vida individual e a perpetuar a espécie&lt;br /&gt;O instinto e a inteligência muitas vezes se confundem. Mas, muito bem se podem distinguir os actos que decorrem do instinto dos que são da inteligência.&lt;br /&gt;Exagerando as necessidades, o humano afasta-se da simplicidade e estrutura o mecanismo de instinto de posse e, com o instinto de posse, cria os reflexos do egoísmo, do orgulho, da vaidade e do medo.&lt;br /&gt;A sobreexcitação dos instintos materiais, abafa, por assim dizer, o senso moral, como o desenvolvimento do senso moral enfraquece pouco a pouco as faculdades puramente animais.&lt;br /&gt;Sendo a  inteligência  a faculdade que permite a adaptação e o domínio de novas situações, manifestando-se na compreensão, aplicação, interpretação e estabelecimento de relações e de conexões que tenham sentido, a razão é a faculdade de distinguir o verdadeiro do falso, o bem do mal&lt;br /&gt;O instinto é condicionado pela conduta racional e pelas experiências vividas.&lt;br /&gt;A sobreexcitação do instinto pessoal por vezes é contagiosa levando à sobreexcitação do colectivo, transformando as massas em grupos de actuação alucinante, primando por total uma ausência da razão.&lt;br /&gt;Com a utilização da razão aparecem as qualidades morais que no indivíduo constituem, a honra, a bondade, a integridade de carácter, a sobreposição do interesse colectivo ao egoísmo subjectivo.&lt;br /&gt;Como consequência das qualidades morais, manifesta-se a sensibilidade , faculdade de sentir ou experimentar prazer e dor, sensações e sentimentos. &lt;br /&gt;Os sentimentos provocam o amor e o afecto,  e estes dão origem à emoção que por sua vez leva à comoção, o sentir mais nobre do homem.&lt;br /&gt;Em suma, o homem é uma soma de instintos, que o caracterizam como animal, e razão, que o distingue das demais criaturas. O que se requer é equilíbrio, harmonia entre os dois factores, e a racionalidade deve preponderar sobre instintos que se tenham tornado dispensáveis e que precisem ser dominados. Se não fosse a racionalidade, possivelmente, o homem já estaria extinto..&lt;br /&gt;A razão tem avanços e retrocessos, dependendo de como geração é educada pela que a precedeu, mas é preciso que nunca decline a ponto de ser ofuscada pelos instintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino deixando em aberto,  ao leitor deste post, a justificação sobre os porquês do comportamento tão instintivo de alguns humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-109899293469509924?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/109899293469509924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=109899293469509924' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109899293469509924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109899293469509924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/10/todos-iguais-e-to-diferentes.html' title='&lt;strong&gt;Todos iguais... e tão diferentes...&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-109848265566830048</id><published>2004-10-22T21:58:00.000Z</published><updated>2004-10-22T22:04:15.666Z</updated><title type='text'>Lembranças  IV</title><content type='html'>Baixei o tom de voz e sussurrando perguntei. E se esta guerra não for justa, achas que vale esse sacrifício todo? A resposta foi imediata: não me digas que és daqueles que pensam que devemos devolver as terras aos pretos. Tomámos conta de África há cerca de cinco séculos, quando aquele continente era o que se sabe, um amontoado de tribos que se guerreavam e que viviam da forma mais primitiva. Se esse tempo todo não nos legitima em relação a África então o que havemos de dizer dos Americanos, dos Australianos, Nova Zelândia etc. É tudo uma grande hipocrisia. O que eles querem é ficar com o que é nosso.&lt;br /&gt;Ouvi e calei, a conversa era demasiado perigosa para a altura. Nunca se sabe onde está o bufo. Como é o teu nome?, perguntou ele com uma voz mais simpática, aqui têm a mania de nos pôr números, e esquecemos dos nossos nomes. Augusto, informei. Descobri uma coisa gira, agora ele estava com a voz bem disposta, lá fora como sabes é proibido ser comunista mas aqui dentro não, somos todos camaradas.&lt;br /&gt;Rindo encaminhamo-nos para a escadaria de duzentos degraus, que para além de servir de complemento ao exercício físico servia também para abrir o apetite, ao encontro do rancho da noite.&lt;br /&gt;Não fiz amigos na recruta, o único, e não passou da categoria de conhecido de beliche, foi o Barreiros, do qual nunca soube mais nada  depois de sair de Mafra. Vivíamos a semana a pensar na licença de fim de semana, que começava cerca das onze horas de sábado depois da revista para ver a apresentação dos soldados não fossem eles dar uma má imagem do exército. Botas a brilhar, farda com os botões polidos, emblema do bivaque reluzente, barba impecável o cabelo não conta porque ainda não teve tempo de crescer depois da carecada higiénica. A licença terminava no Domingo seguinte com apresentação à porta de armas até às 21 horas.&lt;br /&gt;Menos de um dia e meio, pois temos de contar com o tempo da viajem ida e volta, era pouco tempo para matar as saudades, especialmente com a namorada. Uma semana sem dar um beijo pelo menos, merecia uma licença maior.&lt;br /&gt;Nunca tive a menor vocação para militar, mas compreendo que havendo necessidade de haver exército o problema maior que este tem de resolver é o da disciplina, catalizador fundamental da instituição, sem a qual não é possível haver exército. É a disciplina que é base do comando, porque só há comando quando existe quem obedeça, e a obediência é a condição fundamental da disciplina.&lt;br /&gt;O treino militar, pelo menos fisicamente falando, era muito duro, assim era necessário para enfrentar a guerra que nos esperava. Contudo, o moral era muito elevado, e todos os recrutas aceitavam de boa vontade os exercícios, procurando até emprestar o melhor que podiam na sua execução.&lt;br /&gt;A recruta ia correndo menos mal, caso não fosse atingido pelo o corpo de um camarada com cerca de cem quilos que caiu de um muro abaixo, mais precisamente em cima do meu pé direito, fracturando-me o dedo maior do referido pé.&lt;br /&gt;Apesar das botas serem muito rijas, o que servia de talas para o dedo ferido, as dores eram muitas quando marchava ou pior ainda quando corria. Dar baixa à enfermaria, o que seria a opção mais evidente, estava posto fora de causa, pois isso implicava a perca da licença de fim de semana, e lá se iam por água a baixo os beijos tão ardentemente esperados.&lt;br /&gt;O dedo inchou muito e tinha de recorrer à ajuda do Barreiros para descalçar a bota quando regressávamos ao fim do dia da instrução. Para calçar a bota de manhã usava um técnica especial. Sentava-me na cama do Barreiros, que ficava por cima da minha, enfiava o pé na bota até onde podia e depois deixava-me cair ficando a gravidade e o meu peso encarregues de colocar o pé completamente dentro da bota. Era uma dor do caraças, mas era uma dor só, depois atacava a bota da melhor maneira possível. (continua)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-109848265566830048?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/109848265566830048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=109848265566830048' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109848265566830048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109848265566830048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/10/lembranas-iv.html' title='Lembranças  IV'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-109794095882868099</id><published>2004-10-16T15:33:00.000Z</published><updated>2004-10-16T15:35:58.826Z</updated><title type='text'>Se...</title><content type='html'>Se escolheres um lugar escuro, senta-te, respira fundo, esvazia os pensamentos, sê só tu, olha para o céu, cavalga um cometa, salta de estrela em estrela, e solta a imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a Natureza te privou da visão, apura o ouvido, encontra uma suave melodia, e solta a imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se também a audição te foi negada, inspira um doce perfume, e solta a imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o olfacto perdeste, relembra um sabor apetecível, e solta a imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se só te resta o tacto, tacteia o que mais de suave a matéria tenha, e solta a imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se todos os sentidos te foram negados, e só te resta o pensamento, procura-te a ti próprio, que o resto é imaginação.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-109794095882868099?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/109794095882868099/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=109794095882868099' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109794095882868099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109794095882868099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/10/se.html' title='Se...'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8029558.post-109770507312143123</id><published>2004-10-13T21:57:00.000Z</published><updated>2004-10-13T22:04:33.123Z</updated><title type='text'>O Budismo</title><content type='html'> &lt;img src="http://larevista.turemanso.com.ar/5/buda.jpg"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das grandes estultícias do Mundo Ocidental é pensar que é capaz de compreender a mentalidade Oriental. &lt;br /&gt;A tentativa de compreensão do pensamento oriental é feita pelo ocidente baseada  nos seus padrões civilizacionais, tendo como resultado, essa compreensão no fim não ser  mais do que uma tradução à letra sem o conteúdo da “alma” oriental.&lt;br /&gt;Muitos são os ocidentais que se sentem fascinados pelo Budismo, pretensos praticantes de tão elevada linha de pensamento, recorrendo a práticas ocidentalizadas, que de certa forma nada têm a haver com a essência do Budismo.&lt;br /&gt;A meditação e a introspecção budistas, não se fazem com um simples fechar de olhos, respirar fundo, tentar não pensar em nada e em alguns casos emitir os sons sagrados. A meditação budista é muito profunda e está interligada às práticas sublimadoras, que não são facilmente aceites pelos ocidentais aspirantes ao mundo budista.&lt;br /&gt;Salvo raras excepções, o Budismo para os ocidentais é uma espécie de moda, por ignorarem na realidade o que é o Budismo, e só o conhecerem muitas vezes através de charlatães, hoje em dia muito frequentes,  chamados de gurus.&lt;br /&gt;A título de esclarecimento passo a apresentar algumas notas sobre o Budismo.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Fundado na Índia por volta do século VI a.C., e inspirado nos ensinamentos de Siddharta Gautama, cognominado o Buda, o Budismo é a denominação dada pelos ocidentais ao sistema que visa à realização plena da natureza humana e à criação de uma sociedade perfeita e pacífica. Aberto a todos os grupos sociais, etnias, culturas e nacionalidades, desenvolveu-se por todo o Extremo Oriente.&lt;br /&gt;Buda convencido de que a vida é cheia de sofrimento e sacrifícios, resolveu buscar a iluminação religiosa. Torna-se um monge mendicante que rompe com o bramanismo, a religião pós védica da Índia.&lt;br /&gt;A sua pregação baseava-se na crença de que a existência é um ciclo contínuo de morte e renascimento. Assim, a posição e o bem-estar na vida decorrem da conduta nas vidas anteriores. Um elo liga a vida presente à passada.&lt;br /&gt;O objectivo do Budismo é alcançar o nirvana, isto é libertar o humano de ciclo da vida e da morte. &lt;br /&gt;Para atingi-lo, é preciso seguir a doutrina das Quatro Nobres Verdades e da Senda Óctupla. As Quatro Nobres Verdades são: 1) a dor universal; a constatação de que o sofrimento é factor inerente a toda a forma de existência; 2) ela é causada pelos desejos que alimentam a nossa vida tecida de ilusões; de que a origem do sofrimento é a ignorância; 3) suprimindo esses desejos, eliminar-se-á a dor; de que se pode dominar o sofrimento por meio da extinção da ignorância; 4) seremos nisto ajudados pela meditação e pela piedade para com todos os seres; de que o caminho que leva ao domínio do sofrimento, caminho médio entre a automortificação. O abandono dos prazeres, consiste na Senda Óctupla. Esta abrange compreensão correcta, pensamento correcto, palavra correcta, acção correcta, modo vida correcto, esforço correcto, atenção correcta e concentração correcta. Assim se atinge o Nirvana que exige pureza de fé, de vontade, de aplicação, de memória e de meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao princípio da questão, de como o ocidental poderá entender a “alma” dos orientais, quando estes, por sua vez fizeram três interpretações diferentes do Budismo, criando três grandes correntes, assim chamadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pequeno Veículo, ou Hinaiana, considera-se o mais antigo e ortodoxo e presta culto só a Buda. Suprimindo o eu e a ilusão do universo, chega-se ao Nirvana (uma espécie de indefinido nada universal, do qual tudo devém e ao qual deve retornar no final das reencarnações). Buda disse: «A nada ames, a nada odeies, nada desejes, a fim de que, soprando sobre o mundo, tu o possas extinguir.» É praticado em Ceilão, na Birmânia, na Tailândia e no Sudeste asiático até Java.&lt;br /&gt;O Grande Veículo, ou Mahaiana, assegura que o Buda encarna periodicamente na Terra para salvar os homens. Conquistou o Tibete, a China, a Mongólia, a Coreia e o Japão, retomando o princípio de «libertado que, por sua vez, liberta», de Gautama.&lt;br /&gt;O Veículo de Diamante, ou Vajraiana, uma terceira corrente, bastante impregnada de erotismo e de magia xivaíta, foi influenciada pela vaga tântrica.&lt;br /&gt;Este conjunto comporta impressionantes paradoxos:&lt;br /&gt;1) Buda nunca se apresentou como deus, nem mesmo indirectamente. No entanto, os seus discípulos divinizaram-no e alguns deles criaram hierarquias de budas divinos. Os Tibetanos acrescentaram-lhe mesmo uma abundante demonologia.&lt;br /&gt;2) Nascido nas Índias como reacção contra o induismo, o budismo será quase eliminado por este último (hoje conta apenas 200.000 praticantes na Índia. Mas fora da Índia agrupa mais de 500 milhões de fiéis)&lt;br /&gt;3) Nascido nas Índias, não é verdadeiramente hindu nas suas concepções. O próprio Gautama nasceu no que é o actual Nepal e é apresentado como um estrangeiro. &lt;br /&gt;4) Buda falava um dialecto e não deixou nenhum ensinamento escrito, o que não impede que exista um gigantesco cânon triplo (sânscrito-tibetano-chinês) para o Grande Veículo e o Triplo Vaso para o Pequeno.&lt;br /&gt;5) Tipicamente negativo na base (nada de Deus; o mundo é uma ilusão e o eu também o é), torna-se uma receita prática, positiva, de salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vimos o  Budismo não é uma coisa tão linear assim, para que qualquer ocidental o compreenda, cultural e religiosamente influenciado por uma religião, o Cristianismo, voltada para a colectividade. O Budismo não é uma religião, mas sim, uma filosofia de vida que visa unicamente a salvação individual, baseada numa conduta de certa forma transcendental para os ocidentais.&lt;br /&gt;Talvez seja mais fácil um oriental compreender a cultura ocidental, do que um ocidental compreender o pensamento oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8029558-109770507312143123?l=aquestaocontinuada.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/feeds/109770507312143123/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8029558&amp;postID=109770507312143123' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109770507312143123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8029558/posts/default/109770507312143123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aquestaocontinuada.blogspot.com/2004/10/o-budismo.html' title='&lt;strong&gt;O Budismo&lt;/strong&gt;'/><author><name>augustoM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15638059455158397557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17524563228025584709'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>16</thr:total></entry></feed>