Olá Lucy
Viajar no tempo é igual à velocidade da imaginação, um instante, e num instante me encontrei em África, há 4 milhões de anos atrás, mais propriamente na Etiópia, frente a frente com uma criatura que à primeira vista me parecia um macaco.
Mas macaco não podia ser, pois estava de pé, direita e caminhava como eu. De pequena estatura, com altura de uma criança, cerca de um metro e vinte centímetros, tinha todo o corpo coberto com um pelo espesso de cor acastanhada, e os braços, como reparei, eram mais compridos do que os nossos, mais parecidos com os dos macacos.
Mas braços de macaco não podiam ser, pois ao tentar-me tocar, fê-lo com a palma da mão e não com as costas, como fazem os macacos.
A cabeça, apresentava uma face também com muito pelo, sobrancelhas muito grandes e proeminentes, nariz pequeno e recolhido e as mandíbulas expandidas para a frente, o que lhe dava um aspecto de macaco, mas os seus olhos tinham um olhar de humano.
Ao olhar para o peito, verifiquei que era uma fêmea jovem, o peito já bastante desenvolvido, não apresentava pelos e estava um pouco descaído. Faz lhe falta um soutien, pensei eu.
Ao tentar olhar para mim, a diferença de altura do seu 1,20 m para o meu 1,86 m, obrigou-a a inclinar a cabeça para trás, e na boca entreaberta pude ver que os dentes não eram grandes como os do macaco, mas muito mais pequenos, parecidos com os nossos.
Vi os seus olhos assustados olharem-me espantados, mas com doçura.
Ficámos sem nada dizer durante algum tempo, até que eu quebrei o silêncio, e perguntei. Quem és tu?
Olhou para mim e com um sorriso respondeu. Sou a Lucy, a tua ancestral bisavó, a quem os vossos cientistas alcunharam de Australopithecus afarensis.
Ainda não refeito da surpresa, ouvi um barulho entre as ervas, e delas saiu outra criatura idêntica, só que muito mais corpulenta, a diferença entre eles era mesmo muito grande, talvez a Lucy tivesse 65% do tamanho dele, aquilo a que nós damos o nome de dimorfismo sexual.
Numa das mãos tinha um fruto que vinha a comer e na outra umas ervas, para serem também comidas possivelmente. Vegetariano, deduzi.
Fiquei apreensivo com o tamanho da criatura, mas ela ao ver o meu ar aflito, disse, apresento-te o teu ancestral avô.
Estava deliciado, apetecia-me sentar no chão e ficar a conversar com eles o resto da tarde, mas o relógio indicava que o meu tempo de viagem se tinha esgotado, e num instante voltei à realidade do presente.
Lucy, como vim a saber mais tarde, morreu com a idade de 20 anos, num acidente ao tentar atravessar um rio.
Mas macaco não podia ser, pois estava de pé, direita e caminhava como eu. De pequena estatura, com altura de uma criança, cerca de um metro e vinte centímetros, tinha todo o corpo coberto com um pelo espesso de cor acastanhada, e os braços, como reparei, eram mais compridos do que os nossos, mais parecidos com os dos macacos.
Mas braços de macaco não podiam ser, pois ao tentar-me tocar, fê-lo com a palma da mão e não com as costas, como fazem os macacos.
A cabeça, apresentava uma face também com muito pelo, sobrancelhas muito grandes e proeminentes, nariz pequeno e recolhido e as mandíbulas expandidas para a frente, o que lhe dava um aspecto de macaco, mas os seus olhos tinham um olhar de humano.
Ao olhar para o peito, verifiquei que era uma fêmea jovem, o peito já bastante desenvolvido, não apresentava pelos e estava um pouco descaído. Faz lhe falta um soutien, pensei eu.
Ao tentar olhar para mim, a diferença de altura do seu 1,20 m para o meu 1,86 m, obrigou-a a inclinar a cabeça para trás, e na boca entreaberta pude ver que os dentes não eram grandes como os do macaco, mas muito mais pequenos, parecidos com os nossos.
Vi os seus olhos assustados olharem-me espantados, mas com doçura.
Ficámos sem nada dizer durante algum tempo, até que eu quebrei o silêncio, e perguntei. Quem és tu?
Olhou para mim e com um sorriso respondeu. Sou a Lucy, a tua ancestral bisavó, a quem os vossos cientistas alcunharam de Australopithecus afarensis.
Ainda não refeito da surpresa, ouvi um barulho entre as ervas, e delas saiu outra criatura idêntica, só que muito mais corpulenta, a diferença entre eles era mesmo muito grande, talvez a Lucy tivesse 65% do tamanho dele, aquilo a que nós damos o nome de dimorfismo sexual.
Numa das mãos tinha um fruto que vinha a comer e na outra umas ervas, para serem também comidas possivelmente. Vegetariano, deduzi.
Fiquei apreensivo com o tamanho da criatura, mas ela ao ver o meu ar aflito, disse, apresento-te o teu ancestral avô.
Estava deliciado, apetecia-me sentar no chão e ficar a conversar com eles o resto da tarde, mas o relógio indicava que o meu tempo de viagem se tinha esgotado, e num instante voltei à realidade do presente.
Lucy, como vim a saber mais tarde, morreu com a idade de 20 anos, num acidente ao tentar atravessar um rio.

26 Comments:
bela viagem!
deixo o melhor elogio:
um abraço!
Muito bem escrita a viagem/conto tendo a lucy como sua protagonista.
Estás de Parabéns.
Abraço
Adorei, Augusto! :-) Um grande beijinho!
e a viagem foi através da maquina do tempo, da imaginação, hipnose ou dalgum cogumelo que comeste :-)
Belo encontro, viajaste que te fartaste.
Eu estive em Londres a passar o fim do ano.
Não encontrei nenhuma Lucy ;)
Gostava de passar este texto para o meu blog, posso?
Gostei muito da maneira como descreveste o teu encontro com a Lucy.
Delicio-me com as tuas histórias.
Bom fim de semana, amigo Augusto
Paulo
Augusto, na próxima viagem também quero ir!
Abraco,
Ana Maria
É bom ter avós!
Assim se constrói a herança que passamos aos nossos filhos.. e salvaguardamos a continuação da espécie!
Eu tive a sorte de conhecer os meus.. e a minha filha também!
Abraço!
lucy in the sky with diamonds... viajo de lá para cá e te digo que esta nossa bisavó deveria ser uma dessas fêmeas mansas. daquelas a quem a existência reservava grandes planos. por cumprir... achas pessimismo. é apenas olhar em redor... árvores com galhos onde nos dependuramos a humanidade... frutos de doçura no jardim do paraíso. tanto polegar oponível e braços independentes e... tão longe e tão perto. o tempo é uma abstracção... ( também à lucy querias dar um soutien, não era ? ... para alguns não é fácil... )
Luci...teve medo! Mas agora descansa...
Jinho, BS
Olá Jorge
Se houvesse uma máquina do tempo, esta seria, sem dúvuda, uma das melhores viagens ao passado.
Um abraço. Augusto
Olá Alexandre Narciso
A Lucy é a nossa maior protagonista, pois geneticamente todos descendemos dela.
Um abraço. Augusto
Olá AnaP
Gostaste da tua querida ancestral avó?
Um beijinho. Augusto
Olá Trintapermanente
Se queres saber foi uma mistura de imaginação e saber.
Beijinhos do pai
Olá Streetguru
Querias uma Lucy no fim do ano? vê lá se o marido dela te ouve.
Conforme já te disse no teu blog podes passar o texto, é uma honra.
Um abraço. Augusto
Olá Paulo
Foi o encontro possível com a nossa avó ancestral.
Um abraço. Augusto
Olá Ana Maria
Ficas desde já convidada.
Já foste ver a resposta na Arca de Noé?
Um beijinho. Augusto
Olá António Almeida
A Lucy é a origem da nossa herança genética.
Um abraço. Augusto
Olá Blimunda
Era essa a música que estava a tocar na noite em que os palentólogos festejavam a descoberta do fóssil, daí o nome Lucy.
É verdade, a natureza reservou-lhe um grande papel, ser a progenitora da humanidade que somos.
Um beijinho. Augusto
Olá Shell
A Lucy deve ter tido muitos medos, mas foi devido aos seus medos, que hoje somos o que somos.
Um beijinho. Augusto
brilhante exposição. viajei contigo, através dos tempos.
a nossa avó não está muito favorecida na foto.
espero mais desenvolvimentos.
gostei muito.
continuação de um bom fim de semana.
An
Pois seremos, tens razão. Um jinho, BShell
Bonito texto. Sabiam que Lucy recebeu essa designação emprestada da música dos Beatles "Lucy in the sky with diamants"?...
A Eva africana... o Augusto anda nas melhores companhias,lol.
dinah
Isso é que foi uma viagem na máquina do tempo até aos primordios da tua existência...!!!
Abraço.
Isso é que foi uma viagem na máquina do tempo até aos primordios da tua existência...!!!
Abraço.
Isso é que foi uma viagem na máquina do tempo até aos primordios da tua existência...!!!
Abraço.
Olá paopbocca
Coitada, ainda não havia a depilação.
Um beijo. Augusto
Olá Armando
Sabia.Era a música que tocava na radio, na noite em que os cientistas festejavam a descoberta do fóssil, daí o nome Lucy.
Um abraço. Augsuto
Olá Dinah
Faz-se o que se pode.
Um beijo. Augusto
Olá Art of Love
E foi mesmo, deu-me muita satisfação conhecer a vóvó.
Um beijo. Augusto
É sempre compensador viajar no tempo, Augusto. Até dá para encontrar a Lucy in The Sky with diamonds :-)
Um abraço
Ai! deixa-me rir: Lucy in the sky with diamonds, ela precisa é de uma depilação e de um soutien.
Beijinhos aos gatos e vê lá se vais ao meu blog.
Que delícia!
Um abraço.
PS - há umas semanas atrás enviei-lhe um mail. Gostava de saber se o recebeu. Seria possível dizer-me?
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