O Aushwitz americano
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Hollywood foi durante muito tempo e, em certa medida continua a ser, se bem que já não tão ostensivamente, a máquina de propaganda americana, que procurou e procura passar uma imagem quer do americano quer do seu modo de vida, que não corresponde à realidade.
Tinha por fim captar a admiração do mundo, conquistar os povos menos avisados e consequentemente granjear desta forma a imagem do amigo rico, em alternativa ao inimigo pobre da Rússia.
Mesmo hoje em dia quando alguns cineastas americanos, outsiders do sistema, criticam o americano ou o seu modo de vida, essa crítica é feita entre americanos, talvez por isso algumas vezes duvidosa, tentando desta forma, defensivamente, antecipar-se a qualquer censura vinda do exterior.
Hollywood habituou-nos a ver o soldado americano, simpático, bonitão, ingénuo, o bravo, o herói imaculado, o que vence sempre o mau da fita, claro não americano, que tem mau aspecto, que veste mal, que denota pouca inteligência, e que é por norma muito cruel.
Pois, como o que parece nem sempre é, também o soldado americano não é o que quiseram fazer parecer.
O exército americano, apelidado por uns como a polícia do mundo, no final de contas, não passa de uma máquina de guerra de rapina, exclusiva dos interesses americanos. Polícia só se for do que é deles ou do que pretendem que seja.
A soldadesca americana robustecida pelo número, pelo poderoso armamento e com a arrogância de quem quer posso e mando, permite-se dar largas à imaginação, procurando as formas mais degradantes e desumanas para tratar os supostos adversários, transformando as prisões em algo parecido com os aushwitzes.
Ai de quem lhes caia nas mãos, se não vejamos o que aconteceu, e é só o que sabemos, nas prisões do Iraque.
Em Guantanamo os presos, arrebanhados a eito no Afeganistão, sem culpa formada, talvez só suspeitos ou mesmo nem tanto, não são considerados judicialmente de delito comum nem de delito criminal nem tão pouco prisioneiros de guerra.
Sem lei para os acusar ou defender, é como se não existissem o que permite aos seus carcereiros, impunemente, exercerem sobre eles toda a espécie de torturas, só possíveis por serem motivadas por um profundo ódio racial e uma bestialidade de carácter, já anteriormente demonstrados quando do massacre dos Índios americanos. Só tem paralelo em Aushwitz.
O Mundo sabe mas finge não saber, pudera pois, Guantanamos sempre houve, há, e infelizmente haverá. Em França perguntem à Legião Estrangeira o que se passou na guerra da independência da Argélia, para não falar no colaboracionismo com as SS nazis no problema judaico. Em Espanha perguntem ao Franco, como eram tratados os comunistas espanhóis. Na Rússia o KGB que relate o que se passava nas suas prisões, e estes são só alguns exemplos. Também nós não ficamos fora deste sinistro rol, que o digam os nossos presos políticos.
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