terça-feira, novembro 16, 2004

Confronto

Confrontado diariamente com notícias ligadas ao mundo islâmico, melhores ou piores, conforme a óptica ocidental, achei oportuno dizer alguma coisa sobre o Islamismo.
Para nós cristãos, e no caso particular dos católicos, a maior parte não praticante, em que o único vínculo à religião é a tradição, não conseguimos compreender o que é uma profunda fé em Deus, nem tão pouco a observância rigorosa dos preceitos religiosos.
O Islão vive da convicção religiosa dos seus adeptos, orientados por líderes religiosos, que fazem parte do próprio povo, por isso mesmo respeitados e obedecidos, enquanto o Cristianismo criou a Igreja, um Estado temporal, individualizado da sociedade, muitas vezes mais político do que espiritual.
O acto religioso dos islamitas é voluntariosamente observado, tornando-se parte integrante da sua vida, e não circunstanciado como acontece na maior parte do Cristianismo católico.
Os valores religiosos, em ambas as religiões impostos pela força, no Islão sempre foram acompanhados de alguma benevolência religiosa, contrastando com a total intolerância característica do Cristianismo.
O Cristianismo ao impor a sua intolerância ao Islão, o caso contrário não aconteceu tão veementemente, provocou, desde o princípio, um confronto civilizacional.
Hoje o confronto mantêm-se, dando a intolerância religiosa do Ocidente lugar aos interesses, o que nos leva a assistira agora, não a um confronto civilizacional, mas sim a um confronto entre interesses e princípios.
Para o mundo ocidental materialista é completamente imperceptível o mundo espiritual oriental, daí ficarmos chocados com os meios utilizados na luta pelo Islão.
Rezar a Alá e morrer pelo seu ideal religioso é coisa tão difícil de compreender como o haraquiri japonês. Não é que a vida para eles tenha menos importância do que para nós, só que a sua espiritualidade, chamada por nós de fanatismo, é mais forte do que a nossa, levando a que eles releguem a vida para segundo plano em relação à fé.
Esta é que é a grande diferença entre o mundo do Cristianismo e o mundo Islamismo, apesar de na sua primeira essência serem muito semelhantes. Tentarmos imiscuirmo-nos nas suas tradições impondo a nossa cultura é tão difícil como “um camelo passar pelo buraco da agulha”.

18 Comments:

Blogger Fernando B. said...

Prezado Augusto,

Ler e reflectir sobre os teus textos, é um excelente exercício para a nossa mente.

A Intolerância, essa grande inimiga da Humanidade, foi criada pelos seus Filhos.

Em nome de Deus, ou de Alá, ou de quaisquer outras Divindades, têm-se cometido os maiores atropelos ao Ser Humano.

Respeitando quem, sinceramente, pratica a sua Religião, com convicção, não posso por outro lado, deixar de estar de acordo com quem disse aquela célebre frase:

"As Religiões são o ópio dos Povos"Fraterno Abraço,

11:51 da tarde  
Blogger Yardbird said...

Tens razão em muito do que dizes. Mas concordo também com o que diz o comentador acima. E deixa-me só acrescentar uma coisa: na verdade, a base de qualquer religião é boa, os homens, na descontrolada ânsia de as interpretarem conforme as suas conveniências, é que acabam por a deturpar. E suponho que, em lado algum do Corão (que foi escrito por homens) se determine que tudo valha para impor a sua religião. Muito menos acredito que algum deus, se algum existe, determine que para se impor a sua religião, se executem sumariamente seres humanos, mais das vezes vítimas inocentes

7:38 da tarde  
Blogger dinah said...

Bom, é tudo uma questão de perspectiva, não é? É só ver que a religião católica já teve essa fase, basta falar das cruzadas. O fervor religioso e o fanatismo eram semelhantes. A questão é que, há oitocentos anos atrás só havia espadas, e que nos oitocentos anos que esperamos que a civilização árabe chegue ao grau de laicismo a que a nossa já chegou é bem possivel construir bombas que acabam com toa a humanidade. Solução, tirando o tempo e a paciência da história? Tentar ser tolerante. Apesar diso não ser grande arma contra fanáticos, nunca prejudicou ninguém respeitar o semelhante e as suas crenças.

10:11 da tarde  
Blogger oasis dossonhos said...

Completamente de acordo com o rigor do teu olhar, acerca do problema. Expuseste uma verdade, explicaste o porquê, a essência dos factos.Assino por baixo, porque quando se olha para os outros, pretendendo impor a nossa visão crítica, já estamos a interpretar e a querer que os outros sejam fotocópia de nós.Os jardins são belos pela sua diversidade.Os "tufões" destroem tudo, soltá-los é a tragédia a que temos e vamos continuar a assistir, porque os senhores querem um mundo forrado de macdonalds católicos.Obrigado pela lição serena e objectiva.

1:29 da manhã  
Blogger oasis dossonhos said...

Completamente de acordo com o rigor do teu olhar, acerca do problema. Expuseste uma verdade, explicaste o porquê, a essência dos factos.Assino por baixo, porque quando se olha para os outros, pretendendo impor a nossa visão crítica, já estamos a interpretar e a querer que os outros sejam fotocópia de nós.Os jardins são belos pela sua diversidade.Os "tufões" destroem tudo, soltá-los é a tragédia a que temos e vamos continuar a assistir, porque os senhores querem um mundo forrado de macdonalds católicos.Obrigado pela lição serena e objectiva.

1:32 da manhã  
Blogger stillforty said...

Magnífica a tua exposição.
Rezar a Alá e morrer pelo seu ideal religioso é coisa tão difícil de compreender como o haraquiri japonês.
E palavras para quê?

9:36 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá Fernado e olá Yardbird
Como os vossos comentários se interligam, vou responder aos dois simultaneamente.

A religião é uma obra do homem para o homem, feita em nome de um Deus ou de um profeta que divinizou para a legitimizar.
Como é feita pelo homem, enferma de tudo que o constitui, incluíndo o que ele tem de mais perverso.
Desta forma, na sua base nenhuma religião é boa.
Nenhum homem tem necessidade de religião para amar o próximo, depende somente da sua vontade.
Um abraço para ambos. Augusto

1:41 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá dinah

Por nós caminharmos para o laicismo, o que pessoalmente ponho em dúvida, não impede de aceitarmos os outros como eles são.
Tanto o Cristianismo como o Islamismo, foram causas falsas na justificação da ambição do homem.
Isto dava um larga conversa para a qual o blog é demasiadamente pequeno, por isso limitativo.
Gosto muito dos seus comentários, dão sempre muita luta.
Um abraço. Augusto

1:50 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá oasisdossonhos

Obrigado pela visita e pelo seu amável comentário. Volte sempre.
Um abraço. Augusto

1:53 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá stillforty

Obrigado pela visita.
beijinhos

2:02 da tarde  
Blogger polittikus said...

Por estas e por outras é que não sou religioso... a religião tenta ser um bem para o mundo, mas é o principal motivo de discordia entre os homens. Acerca do tema lê o livro "Queimada Viva" um relato verídico sobre uma mulher islâmica...

7:18 da tarde  
Blogger trintapermanente said...

Concordo contigo. Os pilotos do 11 de Setembro bem me fizeram lembrar os Kamikases.
Também os cristãos já levaram a sua espiritualidade ao fanatismo no tempo das cruzadas e das descobertas. Ou não foi para espalhar a fé cristã que conquistamos as terras aos mouros? E o papel dos Jesuítas nas Americas?
Agora efectivamente os tempos são outros olhamos para a religião como refugio espiritual, escape, apoio...fé. O que não deixa de também ter a sua importancia.
Deixo, no entanto, ficar aqui uma opinião meramente pessoal que é a seguinte; a igreja devia evitar interferir nas questões do mundo e de consciência.
Beijos da filha :-)

12:38 da tarde  
Blogger trintapermanente said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

12:43 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá polittikus
É verdade, à sombra da religião o homem cometeu e comete as piores barbaridades.
Um abraço. Augusto

5:07 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá trintapermanente
A história das cruzadas não é tão simples assim. Muitos motivos, não religiosos, levaram o mundo cristão à conquista da Terra Santa.
Sempre encambotados com a religião estiveram interesses laicos, quer na evangelização da Índia, da África ou das Américas.
O fanatismo religiosos de que falas nem sempre correspondeu à verdade, mas sim a justificação de acções que não têm nada de religiosas.
Nos tempos modernos se a religião é um refúgio espiritual, não o devia ser. O homem moderno, mais "esclarecido" deveria por si só já ser capaz de ajuizar a sua conduta.
A Igreja não se pode afastar do mundo, pois ela própria é um Estado políticamente falando.
Os teus comentários dão sempre muita luta.
Um beijinho do pai. Augusto

5:28 da tarde  
Blogger Yardbird said...

Sim, eu concordo com essa perspectiva, também acho que o homem não precisa de religião nenhuma para amar o seu semelhante. O que eu creio é que há intolerãncia em ambos os lados, não creio que a intolerância seja exclusivo de um dos lados.
Um abraço, Augusto

10:33 da tarde  
Blogger Alarvo said...

muita gente não sabe mas 80% dos palestinianos não cometeriam suicidio pela fé que têm e muito menos para vingar a morte dos seus queridos. muito pouca comunicação social fala ou mostra isto. vemos sempre o mesmo lado da questão. é mais fácil pensarmos que são todos fanáticos...
fui uma vez a fátima e jurei para nunca mais. a autoflagelação choca-me e muito. só no brasil vi como a religião pode ter um papel positivo na vida das pessoas. desculpa o comentário telegráfico mas às vezes sou assim

2:09 da tarde  
Blogger 日月神教-任我行 said...

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7:15 da manhã  

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