sábado, outubro 16, 2004

Se...

Se escolheres um lugar escuro, senta-te, respira fundo, esvazia os pensamentos, sê só tu, olha para o céu, cavalga um cometa, salta de estrela em estrela, e solta a imaginação.

Se a Natureza te privou da visão, apura o ouvido, encontra uma suave melodia, e solta a imaginação.

Se também a audição te foi negada, inspira um doce perfume, e solta a imaginação.

Se o olfacto perdeste, relembra um sabor apetecível, e solta a imaginação.

Se só te resta o tacto, tacteia o que mais de suave a matéria tenha, e solta a imaginação.

Se todos os sentidos te foram negados, e só te resta o pensamento, procura-te a ti próprio, que o resto é imaginação.

13 Comments:

Blogger trintapermanente said...

O "real" é imaginação. Vou pensar nisso. Já sei que agora vem daí uma divagação sobre o que é o real...;-)

7:05 da manhã  
Blogger augustoM said...

"O real" como afirmas é uma ilusão. Não vou alongar-me em mais explicações, recomendo ler o mundo das ideias de Platão. Beijinhos

10:19 da manhã  
Blogger polittikus said...

Real e ilusão por vezes misturam-se, muitas vezes... Ass: Polittikus.blogs.sapo.pt

2:38 da tarde  
Blogger Fernando B. said...

Amigo Augusto,

O seu belo naco de prosa, fez-me lembrar o Principezinho do Antoine de Saint-Exupéry e também a vida de Helen Adams Keller, sobre a qual eu escrevi um texto intitulado O Milagre de Ann Sullivan, publicado em 16 de Julho no Fraternidade. Esse texto foi incluído num trabalho meu para uma Cadeira de Psicologia sobre a Percepção.

Um Fraterno Abraço,

5:14 da tarde  
Blogger Toze said...

Uauuuuuuuuu...este texto deu mesmo que pensar ! Parabéns :)

Finurias
www.cagalhoum.blogspot.com

10:43 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá polittikus
Isso é mesmo verdade para muita gente.
Um abraço. Augusto

Olá cagalhao
Obrigado pela sua visita e comentário.
Um abraço. Augusto

Olá Fernado B
Não resisti à curiosidade de ler o seu texto O Milagre de Ann Sullivan. Confesso que desconhecia a história de Helen Keller, da sua aprendizagem do nosso mundo, e da sua notável "professora" Ann Sullivan.
O facto de Helen Keller só ter a percepção do nosso mundo através dos sentidos que lhe restavam, o tacto, o olfacto e o paladar, leva-me a conjecturar que espécie de mundo ela concebeu, com toda a certeza, diferente do que é por nós percebido.
Se bem que a limitação ou mesmo a inexistência de alguns sentidos, seja normalmente compensada com um maior desenvolvimento dos outros, na minha opinião, para a sua concepção do nosso mundo deve ter sido fundamental uma apetência forte para a interpretação do conhecimento "a priori" e quem sabe, se recorrer também ao Mundo das Ideias de Platão.
O seu mundo que nos parece limitado, para ela não o era, teria sim, possivelmente, outro conceito.
Dos três sentidos que lhe restavam,o tacto é o mais importante, pois é o que propicia uma percepção mais vasta do nosso mundo como, a forma, o peso a dureza etc., contudo, esta percepção estará sempre dependente da identificação por parte de terceiros, o que sugere uma aprendizagem constante.
Gostava do seu comentário a esta hipótese.
Um abraço. Augusto

8:33 da tarde  
Blogger chemistry said...

Belo naco de prosa como diz o Fernando.
Temos cinco sentidos e mais a Razão.
Se ficarmos sem nenhum, resta-nos...o Eu.

Ora eu temo de ver essa Visão dorida
Que me persegue sempre e asfacela a vida.
Como o Vento de Outonoa débil flor da haste.

Mas, por mais que lhe fuja, estreita-me nos braços,
E diz-me, numa voz da rigidez dos aços,
«Esta alma é a tua alma e eu sou quem tu amaste»
Abraço

3:36 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Um olá não se nega a ninguém, e eu já devia ter dado sinal de vida, pelo facto peço sinceras desculpas.
Os comentários feitos a alguns dos meus textos demonstram discernimento e sensibilidade e os textos aqui publicados confirmam-no.
A finalidade da vida é amar, sem amor não existe vida, só destruição e esterilidade; mas para amar é preciso compreender, é essencial desenvolver a liberdade criativa e a capacidade de comunicar e partilhar com o nosso semelhante; mas para compreender é preciso conhecer, uma existência submergida em ignorância revelar-se-á uma oportunidade perdida, uma vida desperdiçada.
Só o despertar da consciência individual conduz à descoberta da identidade, e descobrir a identidade é ler e interpretar o código genético da alma, e consequentemente compreender a natureza espiritual da condição humana, que inevitavelmente nos «obriga» a amar a vida e a desejar viver em verdade, uma vez que a verdade e a vida formam a unidade essencial, essa unidade é desvendada quando se opta por uma conduta não-violência, a existência individual adquire sentido e a descoberta do eu significado, o resto é imaginação e por vezes fracasso.

Um abraço fraterno
Rodrigo Ribeiro

5:46 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá Rodrigo Ribeiro
Agradeço a sua visita, nunca é tarde para uma primeira vez.
Sem sombra de dúvida, o seu raciocínio está certíssimo.
Resumindo: para um homem evoluir espiritualmente, a razão deve-se impor ao instinto primário.
Um abraço, Augusto

2:36 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá wearetwo
Sem dúvida o eu é que é importante. Gostei do poema.
Um abraço. Augusto

8:13 da tarde  
Blogger AnaP said...

O que apreendemos pelos sentidos é ou não real? E aquilo que apreendemos pela razão é imaginário ou não? A eterna luta entre a razão e os sentidos e entre o real e o imaginário, não é? Sinceramente, não sei. O que apreeendemos pelos sentidos nem sempre é real, basta pensarmos em algo tão prosaico como as ilusões de óptica. Agora, dizer que tudo o que é apreendido pelos sentidos só é real depois de passar pelo crivo da razão, não sei se está totalmente correcto. No post anterior eu disse que filosofia não era o meu forte e aqui eu demonstrei-o. Desculpem lá ter descido a qualidade da discussão...:(
Beijinhos***

12:09 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá AnaP
A discussão não ficou nada diminuida com o seu comentário, que aliás é sempre bem vindo, até pelo contrário. Só vou contrapor um ponto: a razão e os sentidos não têm uma relação directa. Convido-a desde já a ver o meu próximo post, onde abordo a função razão. Vamos ter de certeza uma boa discussão.
Um abraço. Augusto

8:31 da tarde  
Blogger 日月神教-任我行 said...

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7:15 da manhã  

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