quarta-feira, setembro 29, 2004

O Aushwitz americano

.

Hollywood foi durante muito tempo e, em certa medida continua a ser, se bem que já não tão ostensivamente, a máquina de propaganda americana, que procurou e procura passar uma imagem quer do americano quer do seu modo de vida, que não corresponde à realidade.
Tinha por fim captar a admiração do mundo, conquistar os povos menos avisados e consequentemente granjear desta forma a imagem do amigo rico, em alternativa ao inimigo pobre da Rússia.
Mesmo hoje em dia quando alguns cineastas americanos, outsiders do sistema, criticam o americano ou o seu modo de vida, essa crítica é feita entre americanos, talvez por isso algumas vezes duvidosa, tentando desta forma, defensivamente, antecipar-se a qualquer censura vinda do exterior.
Hollywood habituou-nos a ver o soldado americano, simpático, bonitão, ingénuo, o bravo, o herói imaculado, o que vence sempre o mau da fita, claro não americano, que tem mau aspecto, que veste mal, que denota pouca inteligência, e que é por norma muito cruel.

Pois, como o que parece nem sempre é, também o soldado americano não é o que quiseram fazer parecer.
O exército americano, apelidado por uns como a polícia do mundo, no final de contas, não passa de uma máquina de guerra de rapina, exclusiva dos interesses americanos. Polícia só se for do que é deles ou do que pretendem que seja.

A soldadesca americana robustecida pelo número, pelo poderoso armamento e com a arrogância de quem quer posso e mando, permite-se dar largas à imaginação, procurando as formas mais degradantes e desumanas para tratar os supostos adversários, transformando as prisões em algo parecido com os aushwitzes.
Ai de quem lhes caia nas mãos, se não vejamos o que aconteceu, e é só o que sabemos, nas prisões do Iraque.
Em Guantanamo os presos, arrebanhados a eito no Afeganistão, sem culpa formada, talvez só suspeitos ou mesmo nem tanto, não são considerados judicialmente de delito comum nem de delito criminal nem tão pouco prisioneiros de guerra.
Sem lei para os acusar ou defender, é como se não existissem o que permite aos seus carcereiros, impunemente, exercerem sobre eles toda a espécie de torturas, só possíveis por serem motivadas por um profundo ódio racial e uma bestialidade de carácter, já anteriormente demonstrados quando do massacre dos Índios americanos. Só tem paralelo em Aushwitz.

O Mundo sabe mas finge não saber, pudera pois, Guantanamos sempre houve, há, e infelizmente haverá. Em França perguntem à Legião Estrangeira o que se passou na guerra da independência da Argélia, para não falar no colaboracionismo com as SS nazis no problema judaico. Em Espanha perguntem ao Franco, como eram tratados os comunistas espanhóis. Na Rússia o KGB que relate o que se passava nas suas prisões, e estes são só alguns exemplos. Também nós não ficamos fora deste sinistro rol, que o digam os nossos presos políticos.

13 Comments:

Blogger polittikus said...

O cinema americano é a história recontada pelos americanos. Infelizmente muitos ciêm nessa esparela...

4:08 da tarde  
Blogger AnaP said...

Só que com os americanos, não vai haver sequer um Tribunal de Nuremberga, como houve com os alemães. Não vai haver nada. E enquanto a Europa não se unir mesmo, andará sempre a reboque dos americanos. Ai, que simplista que fui... isto não é conversa de café! Olha, estes assuntos dão tanto pano para mangas que me dá a sensação de que qualquer opinião isolada peca sempre por defeito.
Beijos***

10:55 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Guantanamo como tantos outros são autênticos campos de conçentracção, outrora "libertadores" (dizem eles), são os americanos os grandes carrascos do mundo.
Vamos ver se o Busch se vai embora, pode ser que assim ainda haja uma esperança de melhoras
Jpn

5:06 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Actualmente o cinema americano já nos dá a verdadeira imagem do soldado e do povo americano. Basta ver os filmes-documentarios de Michael Moore, aliás é o cinema americano o 1º a denunciar os pôdres da sua sociedade.
Beijos
Marta

7:12 da tarde  
Blogger vmar said...

O estilo de vida à americana foi chão que já deu uvas.
Poucos são, no mundo, que ainda vão no "american way".
Os americanos aos poucos vão dando tiros no pé. Parece que não aprederam nada no Vietnam. Se tivessem tirado as devidas ilações não se tinham metido neste grande buraco chamado Iraque.

10:30 da tarde  
Blogger trintapermanente said...

Muito bem! Gostei de ler. Beijinhos

9:58 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Gostei imenso da maneira do seu texto: incisivo, inteligente e bem delineado.
Gostei de o ler.
Voltarei.
AntónioB

9:59 da manhã  
Blogger Yardbird said...

Pois é, Augisto. Mas há aí uma questão que é omitida. Os norte-americanos estão acima da justiça, e isso não é de somenos. Eles decretam, está decretado. Ao mundo, só resta servir de testemunha muda de tudo.
Um abraço

12:16 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá Polittikus. É isso mesmo que eles querem.
Um abraço. Augusto

Olá AnP. Eles até recusaram serem abrangidos pelo Tribunal Internacinal de Crimes Contra a Humanidade, não vá o diabo tecer alguma.
Um abraço. Augusto

Olá jpn. Estou a ver a saída de Busch muito termida.
Um abraço. Augusto

Olá Marta. Isso é verdade para algum cinema americano, mas é a excepção que confirma a regra.
Um abraço. Augusto

Olá vmar. Olhe que não sei se o estilo de vida americano já foi todo vendimado. Ainda há muita gente pouco esclarecida que vai na conversa.
Um abraço.Augusto

Olá trintapermanente. Obrigado. Beiginhos também.

Olá AntónioB. Obrigado pelo seu comentário.
Um abraço. Augusto

6:35 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá Polittikus. É isso mesmo que eles querem.
Um abraço. Augusto

6:46 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá Polittikus. É isso mesmo que eles querem.
Um abraço. Augusto

6:48 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá Polittikus. É isso mesmo que eles querem.
Um abraço. Augusto

6:49 da tarde  
Blogger augustoM said...

Olá yardbird. Não está tão omitido assim, quando eu digo "quero, posso e mando", mas tem razão, não disse que eles recusaram ficar sob a alçada do Tribunal Internacional para Crimes Contra a Humanidade.

8:33 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home